Protestos após eleição no Quênia matam 124 pessoas

Policiais quenianos entraram emconfronto contra manifestantes em favelas em chamas nestasegunda-feira, em Nairóbi, depois que eleições controversas,realizadas na quinta-feira, mantiveram no poder o presidenteMwai Kibaki, desencadeando conflitos nos quais pelo menos 124pessoas morreram, segundo uma emissora de TV local. Os distúrbios fatais convulsionaram a nação, desde osredutos da oposição, no oeste do país, perto da fronteira comUganda, às favelas de Nairóbi e o porto de Mombasa, na costa,no Oceano Índico. Repórteres da Reuters estimaram pelo menos 70 mortos,baseados em testemunhas e contagem de corpos. Mas a emissoraKTN informou que o número de vítimas chegava a 124. Na cidade de Kisumu, reduto da oposição, no oeste doQuênia, 21 corpos estão no necrotério de um hospital, levadospara lá durante a noite e pela manhã, disseram testemunhas. Amaioria tem ferimentos de balas. Na favela de Mathare, em Nairóbi, a polícia ameaçou atirarnas pessoas que saíssem de casa, disseram testemunhas."Policiais estão dizendo em alto-falantes, colocados emcaminhões, que atirarão para matar em qualquer pessoaencontrada fora de casa", afirmou o motorista de táxi ArgwingsOdera. A violência ameaça afastar os investidores do Quênia, amaior economia do leste da África, e prejudicar a reputação dopaís de ser um oásis de relativa estabilidade em uma regiãomarcada pela guerra e violência. Boa parte da luta envolve a etnia Luos, que apoiou o líderoposicionista derrotado, Raila Odinga, contra Kibaki, do grupoétnico Kikuyu. Odinga convocou uma manifestação para o fim desta semana noprincipal parque de Nairóbi para protestar contra a eleição."Vamos fazer um chamado para uma concentração no parque Uhuru,no dia 3, onde esperamos a participação de 1 milhão dequenianos", disse ele numa coletiva de imprensa. "Sem Raila, sem paz" gritavam jovens na favela de Kibera,em Nairóbi, uma das maiores da África. Eles ergueram fogueirasnas estradas e incendiaram um posto de gasolina antes de apolícia entrar na área, lançando gás lacrimogêneo e disparandopara o ar. Corpos se espalham pelas ruelas lamacentas. Na favela de Korogocho, agitada por confrontos entremanifestantes e policiais, uma testemunha disse ter visto 15corpos. Tentando aplacar um dos momentos mais voláteis no Quêniadesde a independência, em 1963, o governo encheu as ruas comforças de segurança e proibiu a transmissão ao vivo pela TV. "A África tem tido sua quota de violência e mesmo genocídiodesencadeados por incitamento pelas emissoras de rádio e TV",disse o porta-voz do governo Alfred Mutua. "Não podemos nosesquecer do que aconteceu em Ruanda", acrescentou, referindo-seao genocídio de 1994. (Colaboraram Nicolo Gnecchi, Bryson Hull, HelenNyambura-Mwaura, Duncan Miriri, Wangui Kanina, Katie Nguyen;Guled Mohamed em Kisumu; Arjun Kohli em Mombasa)

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