Protestos árabes nas fronteiras de Israel deixam pelo menos 15 mortos

Centenas de sírios e refugiados palestinos atravessam a fronteira e se infiltram em vilarejo

Nathalia Watkins, especial para O Estado de S. Paulo,

15 de maio de 2011 | 22h36

Apesar de militares israelenses terem reforçado ontem a segurança por causa do "Dia da Catástrofe" (ou Nakba, em árabe), como os palestinos se referem à criação do Estado de Israel, milhares de árabes realizaram uma onda de protestos sem precedentes na história da região, nas fronteiras israelenses com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza. Houve confrontos e, segundo a agência Reuters, pelo menos 15 pessoas morreram.

 

Durante uma ação surpreendente, centenas de manifestantes vindos da Síria, refugiados palestinos, iniciaram um protesto no povoado druso de Majdal Shams, nas Colinas do Golã. Desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias, o vilarejo é dominado por Israel. Segundo Tel-Aviv, os militares israelenses foram instruídos a utilizar "o mínimo de força possível" para evitar inflamar as tensões na região - o que teria possibilitado a infiltração dos manifestantes.

 

Além de pelo menos dois mortos, os confrontos na região deixaram ainda dezenas de feridos. Após algumas horas de confusão, todos os cidadãos sírios retornaram ao país, mas prometeram voltar para libertar os territórios palestinos. As forças de segurança da Síria não interferiram na atuação israelense. "Fizemos História. Concretizamos o direito de retorno dos refugiados palestinos às suas terras, ainda que apenas por algumas horas", afirmou Salman Fakrizan.

 

Na fronteira com o Líbano também houve tiroteio e confusão. Pelo menos quatro pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas. Os Exércitos israelense e libanês apresentaram versões contraditórias sobre o incidente. De acordo com Tel-Aviv, os manifestantes teriam sido mortos pelas forças de segurança libanesas.

 

Na Faixa de Gaza, milhares de palestinos participaram de uma marcha em direção à passagem fronteiriça de Erez e foram dispersados por militares israelenses. Uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas durante a manifestação.

 

Também houve protestos e confrontos na Cisjordânia. O principal foco de violência foi em Qalandia, na entrada de Ramallah, onde palestinos atiraram pedras nos soldados e queimaram pneus. Os militares responderam com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Na marcha realizada no centro de Ramallah não houve confronto. Manifestações semelhantes foram empreendidas na Jordânia e no Egito.

 

No sábado, um caminhoneiro árabe-israelense bateu com seu veículo em vários carros e atropelou pedestres ao longo de 2 quilômetros de uma via central de Tel-Aviv, em um incidente que deixou 1 morto e 20 feridos. O caso é investigado e há a suspeita de motivação ideológica.

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