Protestos árabes refletem erros econômicos, diz Unctad

Os protestos no mundo árabe são um alerta para que as nações ainda não afetadas alterem políticas que deixaram a desejar na geração de empregos e prosperidade, disse uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira.

REUTERS

22 de fevereiro de 2011 | 21h11

As manifestações por reformas políticas têm sido acompanhadas por apelos por combate à pobreza, geração de empregos, melhores salários, mais segurança social, acesso a produtos básicos e distribuição de renda mais justa, disse a Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).

"Em suas dimensões econômicas a rebelião representa uma hora da verdade para as escolhas comerciais e de políticas econômicas feitas nas regiões (Oriente Médio e Norte da África) ao longo das últimas décadas", disse a agência em nota.

"Mas, para muitos agentes políticos em países que enfrentam pressões semelhantes, trata-se de um momento oportuno para reconstruir instituições públicas negligenciadas, a fim de que possam comandar o processo de reformular a governança econômica e do trabalho."

A meta, disse a Unctad, deveria ser criar um crescimento sustentável, que gere um círculo virtuoso de investimentos, produtividade, empregos e distribuição de benefícios.

Líbia, Egito, Tunísia, Barein e Iêmen registraram turbulências políticas nas últimas semanas, e houve apelos por mudanças também na Arábia Saudita, Jordânia, Argélia, Marrocos, Kuait e Omã.

A Unctad disse que os distúrbios são um efeito colateral de políticas mal feitas de liberalização comercial e privatizações, políticas econômicas restritivas e um crescimento dependente das exportações.

"Com frequência, a liberalização não foi capaz de evitar a concentração de renda e o surgimento de legiões de jovens urbanos educados e desempregados, cujas perspectivas de emprego são sombrias", disse a nota.

A globalização gerou crescimento nesses países, mas os rendimentos ficaram muito concentrados em "bolhas de riquezas", e essas nações foram incapazes de absorver a expansão das suas forças de trabalho, dando-lhes empregos produtivos e decentes, afirmou o relatório.

(Reportagem de Jonathan Lynn)

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