Protestos causam morte na Cisjordânia

Ao menos um manifestante morre e mais de cem ficam feridos em choques com o Exército de Israel em campo de refugiados palestino

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL / , CALÂNDIA, CISJORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2011 | 03h03

Pelo menos um palestino morreu e mais de cem ficaram feridos ontem durante confrontos com soldados israelenses na Cisjordânia. As manifestações, que se espalharam por diversos locais do território, ocupado por Israel desde 1967, foram organizadas em apoio ao pedido do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de reconhecimento da Palestina perante a ONU.

Soldados israelenses mataram um manifestante na região de Kusran, nas imediações de Nablus, no norte da Cisjordânia, durante um confronto que envolveu colonos judeus que vivem na região. De acordo com fontes médicas, Isam Badran, de 37 anos, foi atingido na nuca.

Os confrontos mais intensos ocorreram no campo de refugiados de Calândia, uma das principais portas de entrada da cidade de Ramallah, que funciona como capital da Autoridade Palestina.

De acordo com o Crescente Vermelho, a maioria dos feridos foi atingida por balas de metal revestidas de borracha e latas de gás lacrimogêneo. Ao menos três jornalistas - entre eles o enviado especial do Estado - e dois paramédicos sofreram ferimentos durante a reação das forças israelenses ao protesto dos refugiados de Calândia.

Ainda segundo o Crescente Vermelho, oito feridos estavam em estado grave e tiveram de ser transferidos para hospitais de Ramallah.

Pouco após as orações do meio-dia, cerca de 20 palestinos começaram a arremessar pedras contra uma torre de observação israelense instalada no muro que isola Calândia de Jerusalém Oriental. "Queremos iniciar o confronto. Somos contra a ocupação israelense. Muita gente já morreu aqui neste campo de refugiados. Estamos reagindo", disse Wahid, de 20 anos.

Enquanto isso, jovens mascarados ostentando bandeiras palestinas posavam para os fotógrafos e começavam a queimar pneus.

Depois de uma hora de agitação, o Exército israelense começou a se agrupar e iniciou uma operação. Duas bombas de gás lacrimogêneo dispersaram os manifestantes ao redor da torre. Mas os palestinos se reagruparam e revidaram com dois coquetéis molotov, em meio a uma chuva de paus e pedras. A reação israelense intensificou-se e latas de gás lacrimogêneo voaram pelo céu de Calândia. O vento, porém, rapidamente dispersou o gás na direção do Exército. Quanto mais os militares atacavam, mais palestinos apareciam no protesto. As ambulâncias do Crescente Vermelho chegaram pouco depois.

Alguns jovens arrastaram o arame farpado que impedia o acesso ao posto de controle e interditaram a Rua Calândia na direção de Jerusalém Oriental.

"Vamos resistir até que os israelenses deixem cada canto de nossa terra. Mas, se os judeus quiserem viver em nosso Estado, eles serão bem-vindos. Respeitaremos sua cultura e sua religião. Eles poderão ter a cidadania palestina, se quiserem", afirmou Ahmed, de 36 anos.

Pouco depois, enquanto berravam em árabe "Allah-u-Akbar" (Deus é maior), os manifestantes soltaram fogos de artifício na direção da torre de controle e das tropas israelenses, ainda do outro lado do posto.

A ação pareceu ter esgotado a paciência dos soldados de Israel, que acionaram o canhão de som e passaram disparar balas de borracha e ainda mais bombas de gás lacrimogêneo.

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