Protestos chegam à Líbia e choques entre ativistas deixam 38 feridos

Delegacias foram incendiadas em alguns pontos do país; população quer o fim do regime de Kadafi

Associated Press

16 de fevereiro de 2011 | 19h30

Militantes islâmicos opositores são soltos pelo governo.

 

CAIRO - Os protestos nos países islâmicos do Oriente Médio e do norte da África chegaram nesta quarta-feira, 16, à Líbia, onde centenas de pessoas foram às ruas em pelo menos três cidades para protestar contra o governo do coronel Muamar Kadafi. Houve confronto dos manifestantes com a polícia e com partidários do governo e ao menos 38 pessoas ficaram feridas.

 

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Kadafi tentou apaziguar os ânimos no país dobrando o salário dos servidores públicos e soltando 110 supostos militantes islâmicos acusados de se oporem ao regime - que já dura 42 anos. Os ativistas, porém, convocaram protestos para a quinta-feira pelo Facebook e pelo Twitter para pedir a renúncia do coronel, o estabelecimento de uma Constituição e reformas econômicas e políticas.

 

Em Benghazi, a segunda maior cidade do país, os protestos iniciaram por causa da prisão de um ativista de direitos humanos. As marchas, porém, logo ganharam uma atmosfera antigovernista, segundo testemunhas. O ativista foi liberado pouco tempo depois, mas os manifestantes permaneceram nas ruas e gritavam "Muamar é inimigo de Alá" e "Abaixo os corrruptos e a corrupção".

 

Na cidade de Zentan, no sul do país, centenas de pessoas marcharam e incendiaram uma delegacia e um posto de segurança antes de acampar no centro da cidade, onde pediam o fim do regime. Em Beyida, no leste, a multidão colocou fogo em mais edifícios das forças de segurança. "O povo quer o fim do regime", diziam os manifestantes.

 

A agência estatal da Líbia não reportou nenhuma manifestação contra Kadafi em nenhum local do país, apenas informou que houve partidários do coronel marchando em várias cidades. O maior deles teria ocorrido na capital Tripoli, onde 3 mil pessoas teriam feito uma passeata. A imprensa no país africano é controlada pelo governo e por isso não há como comprovar independentemente os relatos.

 

A agência oficial ainda divulgou um comunicado dos manifestantes pro-Kadafi no qual eles dizem estar "defendendo o líder e a revolução". A nota ainda chama os opositores de "covardes e traidores". Kadafi é o líder que está há mais tempo no poder da África. As revoltas populares ameaçam seu governo. Na Tunísia e no Egito, os presidentes que estavam há décadas no poder foram derrubados pela pressão das manifestações.

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