Protestos começam em semana decisiva para a Grécia

Motoristas de táxi e funcionários da engenharia de trânsito de Atenas paralisaram as atividades nesta segunda-feira, em protesto contra o novo pacote de medidas de austeridade de 13,5 bilhões de euros que o Parlamento da Grécia deverá votar na quarta-feira. Amanhã e na quarta-feira, a Grécia deverá ficar quase paralisada por uma greve geral de 48 horas convocada pelas duas maiores centrais sindicais do país, a GSEE, do setor privado, e a ADEDY, que representa funcionários públicos. Além dos trabalhadores sindicalizados, advogados, engenheiros, funcionários de hospitais, jornalistas, dentistas e trabalhadores dos setores de energia e telecomunicações irão entrar em greve.

AE, Agência Estado

05 de novembro de 2012 | 16h13

Em cartazes colados nos muros de Atenas, a GSEE afirma que convocou a greve para que "as medidas não sejam aprovadas" e promete: "todos juntos vamos vencer".

A expectativa é que a participação na greve geral seja alta e existe o risco de que as manifestações de rua degenerem em violência. Alguns analistas esperam a repetição do que ocorreu no primeiro semestre deste ano, quando as eleições foram antecipadas e aconteceram protestos violentos nas ruas. Mas a expectativa é que o governo consiga aprovar as medidas no Parlamento na quarta-feira, bem como o orçamento de 2013, que deverá ser aprovado no Parlamento no próximo domingo.

O problema, contudo, também é interno no governo grego. Os três partidos que formam a coalizão - a Nova Democracia, de centro-direita; o Partido Socialista (Pasok), de centro-esquerda; e o pequeno partido da Esquerda Democrática - controlam nominalmente 176 cadeiras do Parlamento de 300. Mas a Esquerda Democrática disse que se absterá do voto na quarta-feira, devido a desacordos sobre a reforma trabalhista. Também existem sinais de que alguns parlamentares do Pasok não irão votar.

Por isso, existem dúvidas a respeito da viabilidade da própria coalizão de governo, formada em junho após o colapso do governo do Pasok e da antecipação das eleições. Nenhum partido obteve maioria no Parlamento. Mais um colapso de coalizão de governo na Grécia poderá levar a novas eleições antecipadas, que muito provavelmente podem ser vencidas pelo segundo maior partido, a esquerda radical Syriza, que se opõe aos termos do pacote de 173 bilhões de euros feito por Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). O pacote da chamada "troica" evitou uma moratória desorganizada da Grécia. Mas a troica exige a aprovação do pacote de austeridade na quarta-feira. Sem a aprovação, a troica não liberará uma tranche de 31 bilhões de euros e a Grécia entrará em moratória em meados de novembro.

As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.