Protestos continuam em cidade dos EUA

Moradores de Ferguson desafiam toque de recolher e vão à rua contra morte de jovem

FERGUSON, EUA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2014 | 02h00

Pela segunda noite consecutiva, manifestantes em Ferguson, nos EUA, desafiaram o toque de recolher decretado pelo governador do Estado do Missouri com o objetivo de acabar com a violência que irrompeu depois que um adolescente negro desarmado foi morto a tiros por um policial branco.

Durante a tarde, pequenos grupos de manifestantes rezaram de mãos dadas perto do lugar onde Michael Brown, de 18 anos, recebeu os disparos. Pela manhã, o reverendo Al Sharpton celebrou uma cerimônia religiosa. "Quando um policial comete um erro, deve assumir as consequências, como qualquer cidadão", disse ele.

Sete pessoas foram detidas quando manifestantes continuaram nas ruas do subúrbio de St. Louis depois da entrada em vigor do toque de recolher, à meia-noite (2h no horário de Brasília).

Durante a noite, também houve confrontos e uma pessoa foi ferida gravemente a tiros. O motivo é desconhecido e o atirador fugiu, segundo a polícia.

O governador do Estado de Missouri, Jay Nixon, decretou o toque de recolher no sábado depois de uma semana de protestos e saques em reação à morte de Brown, no dia 9, pelo policial Darren Wilson.

Novos distúrbios ocorreram em Ferguson na sexta-feira depois que a polícia local divulgou um vídeo mostrando a suposta participação de Brown num roubo a uma loja de conveniência pouco antes da sua morte. Segundo as autoridades, o policial que atirou em Brown não sabia do roubo.

O governador Nixon criticou a divulgação do vídeo. "Acho que isso teve um efeito incendiário", disse ele à TV CBS, acrescentando que a polícia "claramente tenta desacreditar a vítima de uma execução".

Tensão. Quando o toque de recolher passou a vigorar na noite de sábado, a polícia usou alto-falantes pedindo aos manifestantes para dispersarem. Equipados com máscaras de gás e escudos de corpo inteiro, os agentes se colocavam entre veículos blindados.

A pessoa ferida a tiros num restaurante durante a noite estava em condições críticas, disse o capitão da Polícia Rodoviária estadual Ron Johnson. A vítima não foi identificada e o tiro não partiu da polícia, disse ele.

Ron Johnson, encarregado de estabelecer a ordem pelo governador, disse que granadas de fumaça e gás lacrimogêneo foram lançadas contra as pessoas para socorrer a vítima, mas "não tinham relação com o toque de recolher".

O indivíduo ferido foi levado ao hospital antes de a polícia chegar até ele. Johnson disse ainda que alguém atirou contra uma viatura da polícia, mas o suspeito não foi detido.

As granadas de fumaça e gás lacrimogêneo lançadas dispersaram a multidão. Durante o protesto, jovens levavam cartazes e gritavam "sem justiça, sem toque de recolher, sem paz", enquanto outras pessoas pediam para o grupo avançar na direção da polícia. Mais tarde, a polícia voltou a atirar granadas de fumaça em manifestação que reunia 400 pessoas.

Segundo o governador Nixon, apesar dos choques, a primeira noite do toque de recolher foi um sucesso. "Sempre ficamos frustrados quando as coisas não são perfeitas, mas milhares de pessoas falaram na noite passada, milhares de pessoas se manifestaram e não houve nenhum tiro da parte da polícia", disse. / NYT, REUTERS e AP

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