Protestos continuam em Mianmar; monges visitam Nobel da Paz

Presa há 12 anos, Suu Kyi é símbolo de democracia; budistas pedem sua libertação no sexto dia de protesto

23 de setembro de 2007 | 20h52

A maior série de manifestações das últimas duas décadas contra o governo autoritário de Mianmar tem atraído a presença de milhares de expectadores que acompanham a marcha dos monges. Com os pés descalços e entoando preces, os budistas seguiram, neste domingo, 23, até à casa de Daw Aung San Suu Kyi, de 62 anos, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz (1991) e líder pró-democracia, que está presa desde 1995. As informações são do jornal norte-americano New York Times.  Este foi o sexto dia consecutivo de protestos, que contou com a participação de 10 mil pessoas, entre elas quatro mil monges, em Yangon. Foi a primeira vez que o grupo de budistas fez homenagens a Suu Kyi, que não era vista há mais de quatro anos. Durante o trajeto, várias pessoas deram os braços para proteger os budistas. Outras aplaudiram e gritaram "Do-aye" que significa "é sua tarefa", um slogan de determinação que também foi proclamado pelas ruas em 1988, ano em que vários estudantes foram brutalmente assassinados em confronto com o governo.  "Os monges são a maior autoridade moral da cultura de Mianmar", afirmou Soe Aung, porta-voz da coalizão de grupos exilados na Tailândia. "Se algo acontecer com eles, a situação vai se alastrar muito mais rapidamente do que em 1988", declarou. Para evitar problemas ainda maiores, as autoridades ordenaram a retirada das barreiras que impediam a chegada até a casa de Suu Kyi. Cerca de 500 monges seguiram até lá e o encontro se deu pelas frestas da grade de ferro. Segundo testemunhas, ela estava chorando muito. Os budistas entoaram preces e gritaram "soltem Suu Kyi". Embora ela esteja presa, permanece um símbolo para o povo de Mianmar. Apesar dessa medida do governo, segundo informações da Associated Press, policiais impediram um pequeno grupo de voltar à casa de Suu Kyi. Além disso, policiais armados ficaram enfileirados observando a movimentação dos opositores. Até então, isso não tinha ocorrido. Repercussão Desde a tomada do poder pelo governo militar em 1988, cerca de três mil pessoas foram assassinadas. O país afundou na miséria e a repressão se tornou símbolo da submissão do povo. Os Estados Unidos e Europa têm estreitado o boicote econômico a Mianmar, minando o comércio e assistência da China, Índia e outros países do sudeste asiático. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sua esposa e celebridades de Hollywood deram declarações recentemente sobre a falta de direitos políticos e abusos contra a humanidade cometidos no país. Ainda este mês, um relatório sobre as atividades das autoridades deve ser apresentado à ONU.

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