Protestos continuam na Tunísia após fuga do presidente Ben Ali

Depois de renunciar, o presidente foi recebido da Arábia Saudita; chefe do parlamento deverá assumir o cargo.

BBC Brasil, BBC

15 de janeiro de 2011 | 13h09

Tanques e soldados guardam os prédios do governo em Túnis

A capital da Tunísia permanece sob tensão depois que o presidente Zine al-Abidine Ben Ali renunciou ao cargo e deixou o país. Tanques e soldados do exército mantém a guarda nos prédios do governo em meio às manifestações.

Na manhã deste sábado, a situação se agravou quando uma prisão na cidade de Monastir pegou fogo, matando mais de 40 pessoas, segundo testemunhas. Dezenas de prisioneiros escaparam.

Na última sexta-feira, o presidente Ben Ali renunciou após 23 anos no poder. Em comunicado, o primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi disse que ele estava temporariamente incapaz de exercer o cargo.

A renúncia de Ben Ali, que foi o segundo presidente da Tunísia após a independência da França, ocorreu depois que o governo decretar estado de emergência e um toque de recolher enquanto milhares de manifestantes protestavam no centro da capital, Túnis.

Segundo correspondentes, soldados do exército estão patrulhando o centro da cidade, que foi fechado por causa do estado de emergência.

Confusão política

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, que assumiu a presidência interina na sexta-feira, disse que sua prioridade é restaurar a ordem no país, e pediu o apoio dos cidadãos.

Ghannouchi disse ainda que conversaria com os partidos de oposição para negociar a formação de um novo governo.

"Estamos a serviço do povo tunisiano. Nosso país não merece tudo o que está acontecendo. Precisamos recuperar a confiança no governo", disse o primeiro-ministro.

O correspondente da BBC em Túnis Wyre Davies diz que a população espera indicações de que a administração interina comandará mudanças políticas e econômicas.

No entanto o Conselho Constitucional declarou neste sábado que o chefe do parlamento Foued Mebazaa seria o novo presidente interino do país até as novas eleições, que devem acontecer em 60 dias.

Após o anúncio os protestos foram retomados nas ruas, com a destruição de lojas e supermercados. Segundo Davis, ainda não está claro quem está no comando do país.

O Aeroporto Internacional de Túnis, que foi fechado em meio às tensões na sexta-feira, reabriu neste sábado, liberando centenas de turistas e estrangeiros que estão deixando o país em voos especiais.

Fuga

Durante o último mês, a Tunísia foi tomada por protestos contra o desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção. As forças de segurança, acionadas pelo presidente Ben Ali, abriram fogo contra os manifestantes.

Segundo organizações de direitos humanos, mais de 60 pessoas morreram nas últimas semanas, à medida que os enfrentamentos se tornavam mais violentos.

Ben Ali renunciou na sexta-feira após uma manifestação contra ele em Túnis e deixou o país com a família no mesmo dia.

O governo francês rejeitou o pedido para que o avião com do presidente pousasse na França. Ele reabasteceu em Sardenha, na Itália, e pousou em Jeddah, na Arábia Saudita.

Em comunicado oficial, o palácio saudita disse que "Preocupado com as circunstâncias excepcionais que enfrenta o povo-irmão da Tunísia e em apoio à segurança e estabilidade de seu país, o governo saudita recebeu o presidente Zine al-Abidine Ben Ali e sua família no reino."

Neste sábado, o ministro de Relações Exteriores do Egito disse que estava acompanhando de perto os eventos e que o Egito respeita as escolhas do povo da Tunísia.

A França pediu eleições livres no país assim que possível. Um comunicado do presidente Sarkozy pedia o fim dos protestos violentos.

A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França pediram a seus cidadãos que não façam viagens ao país, a não ser em casos essenciais.

A onda de manifestações começou em dezembro quando um jovem ateou fogo a si mesmo após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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