Protestos contra a guerra continuam na Ásia e Oceania

Manifestantes vaiaram, no parlamento, o primeiro-ministro da Austrália por seu apoio à guerra liderada pelos EUA no Iraque. Um padre desenhou com sangue uma cruz no carpete do escritório de um diplomata americano na Nova Zelândia, e um líder da Tailândia previu que protestos mundiais podem em breve convencer Washington a suspender os combates.Protestos foram realizados hoje na Austrália, Tailândia, Indonésia e Bangladesh. Eles foram menores e menos violentos do que anteriores. Mas ativistas em toda a Ásia anunciaram que uma nova onda de manifestações está sendo planejada."O ódio contra os Estados Unidos está aumentado", disse Shahid Shamsi, porta-voz do Fórum da Ação Unida, um grupo radical islâmico no Paquistão, onde um número estimado em 100.000 pessoas promoveu uma passeata de protesto na cidade oriental de Lahore, no domingo.Em Bangcoc, 1.000 camponeses protestaram hoje contra a guerra e o primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, afirmou que a oposição global "fará com que os americanos ponham fim à guerra o mais rápido possível. Essa guerra não se prolongará".Em Auckland, Nova Zelândia, um padre católico e um outro homem disseram que eles usaram seu próprio sangue para desenhar uma cruz de um metro de comprimento no carpete do escritório do cônsul dos EUA, depois de terem marcado uma reunião com o diplomata para, supostamente, ler uma declaração antiguerra.O padre Peter Murnane e o ativista católico Nicholas Drake acusaram os EUA de "derramarem uma grande quantidade de sangue em solo iraquiano".Em Camberra, o primeiro-ministro John Howard foi repetidamente vaiado e xingado nas galerias públicas dentro do Parlamento, enquanto a polícia confrontava-se, do lado de fora do prédio, com centenas de manifestantes protestando contra o papel da Austrália nos combates no Iraque.Policiais formaram uma corrente humana para evitar que manifestantes invadissem o prédio. Guardas de segurança formaram uma segunda linha, atrás das portas fechadas.Os manifestantes exigiam que a Austrália retire da guerra seus 2.000 soldados que lutam ao lado das forças americanas e britânicas.No interior, debates na Câmara dos Representantes tiveram de ser interrompidos por três vezes, enquanto pessoas hostilizavam Howard."Você é um mentiroso, Howard. Um covarde", gritou uma mulher antes de ser arrastada para fora das galerias por seguranças. Ao todo, 12 pessoas foram retiradas e Howard ignorou as manifestações.O governo de Bangladesh, país de maioria muçulmana, advertiu aos diplomatas estrangeiros para buscar escolta da polícia quando tiverem de deixar seus complexos, depois de uma série de protestos.Não houve até agora notícias de violência contra diplomatas. Cerca de 1.000 estudantes saíram às ruas em protesto, hoje, e tropas de choque da polícia impediram que dezenas de mulheres promovessem uma passeata até a Embaixada dos EUA. "Os bengaleses são contra qualquer guerra", afirmou o ministro do Exterior, Morshed Khan. "Queremos uma solução imediata, pacífica, para o problema, no âmbito das Nações Unidas."Em Surabaya, segunda maior cidade da Indonésia, centenas de manifestantes antiguerra saíram às ruas. Protestos menores ocorreram em Jacarta, a capital, e em Makassar.Veja o especial :

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