Protestos contra alta dos alimentos paralisam capital haitiana

Empresas ficam fechadas e aulas foram suspensas em Porto Príncipe; ONU pede ações de emergência

Reuters,

08 de abril de 2008 | 15h46

Manifestantes montaram barreiras com pneus em chamas e atiraram pedras contra a polícia nas ruas da capital do Haiti nesta terça-feira, 8, em protesto contra o custo de vida cada vez mais alto no país, que paralisou a cidade. Empresas ficaram fechadas, as aulas foram suspensas e muitos moradores de Porto Príncipe permaneceram dentro de suas casas enquanto as manifestações, iniciadas na semana passada na cidade de Les Cayes, chegavam à capital do país caribenho com quase 9 milhões de habitantes.   Veja também: Manifestação contra preços no Haiti deixa quatro mortos Haitianos atacam força da ONU em protesto contra preços   Não há informações ainda sobre mortos ou feridos nos protestos mais recentes. Cinco pessoas morreram nas manifestações anteriores alimentadas pelo aumento do preço dos alimentos no país mais pobre das Américas. Um homem foi morto a tiros na segunda-feira, 7, e quatro outros perderam a vida durante um motim na semana passada, em Les Cayes, quando uma multidão enfurecida saqueou um armazém de comida e as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) foram atacadas.   Em resposta aos distúrbios, o governo do presidente René Préval, cuja eleição em 2006 instalou um certo clima de tranqüilidade em um país assolado por décadas de levantes políticos, anunciou um pacote de milhões de dólares em investimentos econômicos com o objetivo de baixar o custo de vida. Autoridades do governo reuniram-se nesta terça-feira para determinar o que fazer frente à crescente instabilidade, a pior a atingir o país desde a posse de Préval.   No mesmo dia, manifestantes armados com pedras reuniram-se na frente do Palácio Nacional enquanto pessoas em outros pontos de Porto Príncipe arrastavam carros quebrados até o cruzamento de ruas e colocavam fogo em pilhas de pneus.   ONU   O Conselho de Segurança da ONU condenou a violência no Haiti e pediu ações de emergência para socorrer a nação caribenha. "Os membros do conselho de segurança lamenta a violência e mostra seu profundo pesar pela perda de vidas", disse a organização em comunicado.   Na mensagem, a ONU ainda expressou sua preocupação pela situação humanitária no país e pediu ajuda a doadores internacionais. Segundo o enviado da organização no país, Hedi Annabi, 80% dos haitianos vivem com menos US$ 2 por dia. "É necessário um esforço especial para uma ajuda imediata e assistência à população do Haiti, além de suporte à próxima temporada de agricultura, com o fornecimento de sementes e fertilizantes", disse Annabi.   O enviado da ONU disse que, apesar dos protestos terem sido causado pela questão alimentícia, "eles também têm uma dimensão política". "Devido à violência que ocorreu no passado, hoje a população do Haiti é sensível às ameaças de instabilidade", acrescentou. "Uma resposta firma e responsável é essencial, e só pode ser alcançada através da colaboração das autoridades do Haiti com o MINUSTAH (missão da organização no país)".   Na segunda-feira, o Programa Mundial de Alimentação da ONU advertiu que a elevação dos preços da comida no mundo poderia levar a situações de tensão como a vista no Haiti. Segundo a organização, distúrbios relacionados com o aumento do custo de vida já tinham atingido Burkina Fasso, Camarões, Egito, Indonésia, Costa do Marfim, Mauritânia, Moçambique e Senegal.  

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