Hayoung Jeon / EFE
Hayoung Jeon / EFE

Protestos contra aumento da gasolina deixam um policial morto e dezenas de detidos no Irã

Medida recebeu o apoio do aiatolá Ali Khamenei; em várias cidades, os motoristas bloquearam estradas e alguns manifestantes atacaram infraestruturas públicas e postos de gasolina

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2019 | 16h40

TEERÃ - Um policial morreu e dezenas de pessoas foram detidas neste domingo, 17, no Irã durante manifestações contra o aumento do preço da gasolina, medida que recebeu o apoio do guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

O tenente Iraj Javaheri morreu ao ser atingido por um tiro durante um confronto na cidade de Kermanshah, oeste do país. 

O presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que o Estado não deve "permitir a insegurança" diante dos distúrbios. "Manifestar seu descontentamento é um direito. A manifestação é uma coisa, e o distúrbio é outra", disse ele em um conselho de ministros, segundo comunicado da presidência. 

Desde sexta-feira várias cidades do Irã registram protestos contra o anúncio de um aumento de pelo menos 50% do preço do combustível. Ao menos 40 pessoas foram detidas em Yazd, no centro do país.

Os distúrbios deixaram um civil morto na noite de sexta e vários feridos na cidade de Sirjan, também na região central do país.

Decisão

O aumento do preço da gasolina foi decidido na sexta-feira pelo Alto Conselho de Coordenação Econômica, formado pelo presidente do país, o presidente do Parlamento e o diretor da Autoridade Judicial.

O preço do combustível deve aumentar 50% para os primeiros 60 litros comprados a cada mês e 300% para os litros adicionais.

Em várias cidades, os motoristas bloquearam estradas e alguns manifestantes atacaram infraestruturas públicas e postos de gasolina.

Aiatolá apoia aumento

O guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, apoiou o aumento do preço da gasolina que motivou protestos ao redor do país, e culpou os adversários da República Islâmica e inimigos estrangeiros por “sabotagem”, relatou a televisão estatal.

“Algumas pessoas sem dúvida estão preocupadas com essa decisão, mas a sabotagem e os incêndios criminosos foram feitos por vândalos, não pelo nosso povo. A contrarrevolução e os inimigos do Irã sempre apoiaram a sabotagem e violações de segurança, e continuarão fazendo isso”, disse o Khamenei.

O aiatolá afirmou que o aumento do preço da gasolina teve por base a opinião de especialistas e deve ser implementado, mas pediu que as autoridades evitem o aumento do preço de outros bens de consumo.

Acesso à internet restrito

O acesso à internet no Irã foi restringido após os protestos, por ordem do conselho estatal de segurança, afirmou a agência de notícias Isna.

O Irã enfrenta uma crise econômica agravada pela retirada unilateral dos Estados Unidos em 2018 do acordo sobre o programa nuclear iraniano, que provocou o retorno das sanções contra o país.

A moeda local, o rial, registrou forte desvalorização. A inflação supera 40% e o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para este ano uma queda de 9,5% do PIB iraniano. / AFP e REUTERS

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    Irã [Ásia]protesto

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.