Hektor Pustina/AP
Hektor Pustina/AP

Protestos contra corrupção no governo matam 3 na Albânia

Pelo menos 22 civis e 17 policiais ficaram feridos em confrontos durante manifestações que pedem saída de premiê

, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

TIRANA

Três pessoas foram mortas a tiros ontem na Albânia durante violentos protestos contra o governo em Tirana, capital do país. Cerca de 20 mil pessoas participaram da manifestação para exigir a renúncia do primeiro-ministro em meio a acusações de corrupção. As autoridades disseram ainda que há 22 civis e 17 policiais e membros da guarda nacional feridos. Um civil e um policial estão em estado grave.

Opositores reuniram-se diante da sede do governo em clima de grande tensão. Os militantes atiraram pedras e as forças de segurança responderam com bombas de gás lacrimogêneo, canhões d"água e balas de borracha. Após três horas de confrontos, a polícia dispersou a multidão e assumiu o controle do local. Imagens exibidas na TV mostraram policiais espancando manifestantes.

A oposição exige que o governo do premiê conservador, Sali Berisha, convoque eleições antecipadas por causa de um escândalo de corrupção. O principal aliado de Berisha, o ex-vice-premiê Ilir Meta, renunciou há uma semana, após ser acusado de manipular um licitação pública. Em janeiro, ele foi flagrado por uma câmera escondida pressionando o ministro da Economia, Dritan Prifti, a receber propina.

O Partido Socialista, liderado por Edi Rama, acusa o atual governo de corrupção, abuso de poder e de fraudar as últimas eleições parlamentares, realizadas em 2009. Na ocasião, o Partido Democrático, de Berisha, obteve maioria por uma pequena margem.

A Albânia, um dos países mais pobres da Europa, realizará eleições locais em 8 de maio, mas a renovação do Legislativo está prevista apenas para 2013. Desde a queda do comunismo, em 1991, o país nunca teve uma eleição tranquila, que respeitasse os padrões internacionais.

As esperanças de ingressar na União Europeia foram prejudicadas pela dificuldade de o país manter uma democracia estável. Bruxelas rejeitou a candidatura albanesa no ano passado, afirmando que Tirana ainda precisa cumprir uma agenda com 12 pontos, grande parte deles envolvendo o combate à corrupção. / AP e EFE

PARA LEMBRAR

Arrasada economicamente após a queda do comunismo, a Albânia elegeu seu primeiro presidente em 1992. O agravamento da crise social, política e econômica ocorreu em 1997, quando a população foi às ruas contra o governo, que apoiou um esquema de pirâmide financeira que quebrou a maioria das instituições bancárias albanesas. Uma missão militar da União Europeia foi enviada para estabilizar o país.

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