Protestos contra discriminação racial se espalham nos EUA

A absolvição de Zimmerman provoca revolta em várias cidades americanas; lobby das armas comemora

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2013 | 02h07

A absolvição de George Zimmerman, acusado pela morte do adolescente negro Trayvon Martin em 26 de fevereiro de 2012, desatou uma onda de protestos em várias cidades dos EUA. Logo depois do anúncio do veredicto, em um tribunal da Flórida no sábado à noite, protestos espontâneos foram registrados em San Francisco, Filadélfia, Chicago, Washington e Atlanta. Ontem, as manifestações se espalharam pelo país.

Em Oakland, na Califórnia, os manifestantes apedrejaram vidraças de lojas, picharam automóveis e muros, mas, em geral, os protestos foram pacíficos e vigiados de perto pela polícia.

O veredicto foi aplaudido pelo lobby que defende as armas, mas considerado decepcionante para os que veem o caso como um ato injusto e racista.

Diante do temor de que ocorressem episódios de violência, ativistas e líderes da comunidade negra dos EUA haviam pedido a calma e um reforço policial foi enviado ao tribunal de Sandford, onde ocorreu o julgamento. Os manifestantes levavam cartazes pedindo justiça para Martin.

Em Nashville, Tennessee, a cantora Beyoncé pediu no sábado à noite um minuto de silêncio em memória de Martin, durante um concerto no qual o rapper Young Jeezy cantou uma canção em homenagem ao adolescente morto. O show de Beyoncé começou meia hora após o anúncio do veredicto. Depois do minuto de silêncio, ela cantou a música I Will Always Love You, que ficou famosa na voz de Whitney Houston.

A absolvição de Zimmerman reabriu o debate racial nos EUA, enquanto entidades pró-direitos civis pressionam o Departamento de Justiça a indiciar o ex-vigilante de origem hispânica sob acusações federais.

A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, nas siglas em inglês), a organização de direitos civis mais antiga dos EUA, e outros grupos humanitários, pressionam o secretário de Justiça, Eric Holder, a levar o caso adiante. Holder, o primeiro americano negro a assumir o cargo nos EUA, enfrenta uma posição difícil em um caso polêmico que chamou a atenção de todo o país e renovou o debate sobre a discriminação racial. Para muitos, Zimmerman só suspeitou de Martin porque ele era negro. / AP

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