Protestos contra Ferguson se espalham pelos EUA

As ruas de várias cidades dos Estados Unidos foram tomadas na terça-feira por pessoas que protestaram contra a decisão de um júri popular de não indiciar o policial Darren Wilson pela morte de Michael Brown, de 18 anos, em agosto. O segundo dia de manifestações mostrou que o caso, no qual um oficial branco atirou contra um adolescente negro, inflamou os ânimos a milhares de quilômetros do subúrbio predominantemente negro de St. Louis.

Estadão Conteúdo

26 Novembro 2014 | 09h52

Manifestantes pacíficos marcharam em Seattle e em Albuquerque e prejudicaram o trânsito em St. Louis, Nova York e em Cleveland. Protestos também foram realizados em Michigan, no Maine, na Georgia, no Wisconsin e em outros Estados.

Para muitos, o assassinato a tiros de Brown, em 9 de agosto, lembrou outros casos de conflitos problemáticos com as forças da lei. O refrão "mãos para cima, não atire" se tornou as palavras de ordem nos protestos contra assassinatos cometidos por policiais em todo o país.

Em Nova York, milhares de pessoas saíram às ruas pela segunda noite consecutiva em Manhattan, reunindo-se na

Union Square antes de se separarem em vários grupos menores que gritavam "Sem justiça, não há paz". Alguns carregavam faixas nas quais se lia "Prendam policiais assassinos" e "Justiça para Mike Brown".

Um grupo foi até a Times Square, passando pelas faixas de trânsito sob o olhar atento da polícia. "Contanto que eles permaneçam não violentos e enquanto não se envolverem em atos que causem temor ou vandalismo, trabalharemos com eles para permitir que se manifestem", afirmou o comissário de polícia William Bratton.

Em Los Angeles, os manifestantes tomaram a U.S. 101 freeway na noite de terça-feira, levando barricadas que colocaram sobre a via, impedindo o tráfego. Em poucos minutos, a polícia rodoviária e policiais da cidade expulsaram algumas dezenas de manifestantes da estrada, fazendo com que fossem para uma passarela, de onde eles jogaram os objetos usados para fazer barricadas. Não havia relatos a respeito de prisões.

Esses manifestantes saíram de um protesto maior, essencialmente pacífico, que reuniu centenas de pessoas que haviam marchado por quilômetros pela cidade desde a tarde de terça-feira.

Em Oakland, um grupo de manifestantes atacou carros de polícia e lojas no centro da cidade, quebrando janelas de lojas de carros, restaurantes e lojas de conveniência pela segunda noite seguida. A multidão chegou a fechar duas estradas e atou fogo a várias latas de lixo na principal rua da cidade, antes de serem dispersados pela polícia.

Na cidade de Minneapolis, um carro atingiu um manifestante e depois foi em direção a um grupo que participava do protestos. Uma mulher teve ferimentos leves.

Em Cleveland, centenas de pessoas marcharam por uma via expressa para bloquear o trânsito da hora do rush para protestar contra o que aconteceu no Missouri, mas também contra o assassinato, no sábado, de Tamir Rice, um menino de 12 anos, que tinha uma arma de chumbinho com aparência de uma arma de fogo. "O sistema não foi feito para nos proteger", disse um dos manifestantes, Naesha Pierce, de 17 anos.

Manifestantes em St. Louis prejudicaram o tráfego durante várias horas ao bloquear cruzamentos, uma estrada interestadual e uma ponte sobre o rio Mississippi que faz ligação com a cidade de Illinois.

A polícia deteve vários manifestantes que se sentaram no meio da rodovia Interstate 44 e usou gás de pimenta para dispersar a multidão. Fonte: Associated Press.

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