Protestos contra filme se espalham por países muçulmanos e provocam mortes

Ao menos cinco pessoas morreram durante ataques a embaixadas e distúrbios em países como Líbano, Tunísia e Sudão, em manifestações contra filme sobre Maomé.

BBC Brasil, BBC

14 de setembro de 2012 | 16h27

Ao menos cinco pessoas morreram nesta sexta-feira em violentos protestos contra embaixadas ocidentais, por causa de um filme anti-islâmico produzido nos EUA.

Três das mortes ocorreram na Tunísia, onde uma multidão invadiu o terreno da embaixada americana em Tunis.

A representação diplomática dos EUA em Cartum, no Sudão, também foi invadida, e uma pessoa morreu. A quinta morte foi registrada no Líbano, depois da depredação de um restaurante da rede americana KFC. Também há relatos de confrontos e protestos no Iêmen, na Nigéria, no Afeganistão, em Bangladesh, nos territórios palestinos e no Egito.

Até quinta-feira, apenas embaixadas americanas estavam sendo alvejadas, mas agora representações da Grã-Bretanha e da Alemanha também foram atacadas.

No Sudão, manifestantes conseguiram iniciar um incêndio na Embaixada americana e arrancar a bandeira do país hasteada no local, colocando uma faixa islâmica no lugar.

No Cairo, cinco pessoas ficaram feridas em um protesto em frente à Embaixada americana. A polícia disparou gás lacrimogêneo contra cerca de 500 pessoas. As ruas no entorno foram bloqueadas com arame farpado, barricadas de concreto e veículos policiais.

Os protestos começaram na terça-feira, após a divulgação de um filme chamado Innocence of Muslims ("Inocência dos Muçulmanos", em tradução livre), que mostra o profeta Maomé como mulherengo e como líder de um grupo de homens que têm prazer em cometer assassinatos. A origem e a motivação do filme são incertas.

No mesmo dia, uma manifestação semelhante provocou um incêndio no consulado americano em Benghazi, na Líbia, matando quatro americanos - entre eles o embaixador dos Estados Unidos no país.

Protestos

Em Tunis, capital da Tunísia, os protestos começaram logo depois das preces de sexta-feira, relata a correspondente Leana Hosea, da BBC News. Um dos manifestantes diante da embaixada americana na cidade disse que sua religião fora insultada pelos EUA e que "Alá e o profeta são mais importantes do que a minha própria vida".

Outros manifestantes disseram considerar insuficiente o fato de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ter pedido desculpas pelo filme e dito que o governo dos EUA não tem relação com a obra. "Queremos uma desculpa de verdade e que o cineasta seja preso", disseram.

No Egito, alguns grupos islâmicos convocaram passeatas pacíficas de "um milhão de pessoas" contra o filme, mas a convocatória havia diminuído na tarde desta sexta. A Irmandade Muçulmana, grupo ao qual pertence o presidente do país, Mohammed Mursi, disse que pretende organizar protestos em massa em frente a mesquitas, mas longe da Embaixada americana.

Mursi disse que seu governo protegerá os diplomatas estrangeiros em seu território, mas afirmou que o filme sobre Maomé é "inaceitável".

Os EUA, por sua vez, disseram que vão aumentar a segurança de suas missões diplomáticas ao redor do mundo. Até a embaixada americana em Londres foi palco de protestos, ainda que sem relatos de violência.

Cautela entre brasileiros

Segundo o Itamaraty, as embaixadas e representações brasileiras no Oriente Médio devem adotar o procedimento de "dar maior atenção à segurança" em situações de instabilidade.

"Não há perspectiva atualmente de que o Brasil seja alvo de nenhum destes ataques e não houve ameaça concreta ao Brasil", disse a assessoria de imprensa do Ministério à BBC Brasil.

"Também mantemos um mapeamento das comunidades brasileiras no Oriente Médio e sempre as orientamos a evitar aglomerações e locais propícios à realização de manifestações." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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