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Protestos contra lei de cidadania da Índia se espalham por universidades

Para críticos, governo hindu nacionalista tenta impor pauta partidária que se choca com a fundação do país como república secular

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2019 | 09h55

NOVA DÉLHI - Protestos contra uma nova lei de cidadania da Índia com base na religião se espalharam por universidades nesta segunda-feira, 16, e críticos disseram que o governo hindu nacionalista está tentando impor uma pauta partidária que se choca com a fundação do país como república secular.

Estudantes lançaram pedras contra policiais que trancaram os portões de uma universidade da cidade de Lucknow, no norte da Índia, para tentar impedi-los de ir às ruas. Dezenas de alunos de outra universidade da cidade escaparam para protestar.

A revolta contra o governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi atiçada por alegações de brutalidade policial na universidade Jamia Millia Islamia, no domingo, quando policiais entraram no campus da capital Nova Délhi e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para interromper um protesto. Ao menos 100 pessoas ficaram feridas.

Cenas semelhantes foram registradas na universidade muçulmana Aligarh, de Uttar Pradesh, Estado do norte do país onde a polícia também se chocou com manifestantes.

O que diz a lei

Segundo a lei aprovada pelo Parlamento na semana passada, minorias religiosas, como hindus e cristãos, dos vizinhos majoritariamente muçulmanos Bangladesh, Paquistão e Afeganistão que se estabeleceram na Índia antes de 2015 poderão pleitear cidadania por enfrentarem perseguição nestes países.

Críticos afirmam que a lei, que não oferece a mesma proteção para muçulmanos, enfraquece os fundamentos seculares indianos.

O diretor da Jamia Millia exigiu que se investigue como a polícia conseguiu entrar no campus. “Não é de se esperar que a polícia entre na universidade e espanque os estudantes”, disse Najma Akhtar em uma entrevista coletiva.

Estudantes disseram que a polícia disparou gás lacrimogêneo e que janelas da biblioteca foram quebradas. Eles se protegeram debaixo de carteiras e apagaram as luzes a conselho dos professores.

Centenas de pessoas se reuniram diante da sede da polícia de Nova Délhi para protestar contra a suposta brutalidade policial e a detenção de alunos. A polícia disse ter agido com moderação.

Sociedade dividida

Rahul Gandhi, líder do Congresso, disse que o governo Modi está dividindo a sociedade indiana por meio da lei de cidadania e que planeja lançar um registro nacional dela.

“A melhor defesa contra estas armas sujas é a satyagraha pacífica e não violenta”, afirmou ele no Twitter, referindo-se à estratégia de resistência política passiva defendida pelo líder da independência Mahatma Gandhi.

O governista Partido Bharatiya Janata, do premiê Modi, nega qualquer viés religioso. Segundo ele, a nova lei visa ajudar os grupos minoritários que enfrentam perseguição nos três países muçulmanos próximos.

Modi disse ainda que a lei foi aprovada pelo Parlamento e não há como recuar. Ele afirmou em uma manifestação no domingo que a decisão está “1.000% correta”. / REUTERS

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