Protestos contra ONU por cólera se intensificam no Haiti

Manifestações se espalham pela capital, Porto Príncipe, a duas semanas da eleição presidencial

BBC

19 de novembro de 2010 | 07h09

Ao menos 17 mil casos de cólera já foram registrados no país.

 

PORTO PRÍNCIPE - Os protestos no Haiti contra as forças de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), responsabilizadas por alguns grupos pela epidemia de cólera que atinge o país, se espalharam nesta quinta-feira pela capital do país, Porto Príncipe.

 

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A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que montaram barricadas e atiraram pedras em veículos das Nações Unidas. Na segunda-feira, confrontos entre haitianos e tropas da ONU no norte do país deixaram duas pessoas mortas.

As manifestações ocorrem menos de duas semanas antes da eleição presidencial, marcada para o dia 28 de novembro. Alguns haitianos vêm responsabilizando membros nepaleses das forças da ONU de levar a cólera ao país, o que é negado pela organização.

Mortes

Casos de cólera já foram identificados em todas as dez regiões do Haiti. Cerca de 1.100 pessoas já morreram em consequência da doença no último mês. No total, ao menos 17 mil casos da doença já foram registrados no país. A maioria das 38 mortes registradas na capital ocorreram na favela Cité Soleil.

Nesta quinta-feira, tiroteios esporádicos podiam ser ouvidos, após os manifestantes tomarem as ruas de Porto Príncipe. Centenas de jovens ergueram barricadas colocando fogo em pneus e atacaram veículos da Minustah, a missão da ONU no país. Os manifestantes gritavam slogans como "Cólera, foi a Minustah que nos deu" ou "Minustah, volte para casa".

Condições sanitárias

Segundo o Centro para Controle de Doenças Infecciosas (CDC), baseado em Atlanta, nos Estados Unidos, cerca de 1,3 milhão de haitianos ainda vivem em campos de desabrigados após o terremoto de janeiro, dificultando o acesso a água potável, condições sanitárias e atendimento à saúde.

De acordo com o CDC, mesmo antes do terremoto, apenas 17% dos haitianos tinham acesso a condições sanitárias adequadas. Em sua última análise sobre a situação no país, o centro disse que era "difícil prever" a evolução da doença, já que esta é a primeira epidemia de cólera no país em mais de um século.

Os primeiros casos da doença, transmitida por meio da água ou comida contaminada, foram registrados na região do rio Arbonite, no norte do país.

Ainda não está clara a origem dos primeiros casos da doença no Haiti. Alguns grupos dizem que ela teria vindo de tanques sépticos de uma base das forças nepalesas da Minustah, mas a ONU diz não haver evidências sobre isso.

O cólera provoca diarreia e vômitos, levando a uma grave desidratação. A doença pode matar rapidamente, mas é tratada facilmente por meio da reidratação e de antibióticos.

 

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