Protestos contra queima de Alcorão deixam 10 mortos no Afeganistão

Ato de cristãos nos EUA também inspirou ataque que matou sete funcionários da ONU na sexta-feira.

BBC Brasil, BBC

02 de abril de 2011 | 13h48

Carros foram queimados nas ruas e testemunhas ouviram tiros

Um protesto em Kandahar, no Afeganistão, contra a queima de um exemplar do Alcorão nos Estados Unidos deixou dez mortos neste sábado, de acordo com autoridades americanas.

Centenas de pessoas participaram da passeata pelo centro da cidade. Testemunhas disseram ter ouvido tiros, e carros foram incendiados pela multidão.

Furiosos, os manifestantes tomaram as ruas de Kandahar gritando palavras de ordem como: "Eles insultaram o nosso Alcorão" e "Morte à América".

Na sexta-feira, sete funcionários da ONU foram assassinados em Mazar-e Sharif, depois de outro protesto contra o ato de religiosos americanos, no pior atentado contra a missão das Nações Unidas desde a invasão internacional, em 2001.

As autoridades de Kandahar e de Mazar-e Sharif culparam o Talebã pelos ataques. No entanto, o grupo rejeita as acusações.

"O Talebã nada teve a ver com isso, foi um ato puro de muçulmanos responsáveis", afirmou um porta-voz do grupo, Zabiullah Mujahid, à agência de notícias Reuters.

Mais violência

Ele disse ainda que os "estrangeiros" atraíram a ira dos afegãos ao queimar o Alcorão.

A equipe da ONU no país continua em estado de alerta máximo. No entanto, ainda não há planos de retirá-los do país.

Em um episódio isolado, três insurgentes foram mortos ao atacar uma base da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Eles teriam sido parados antes de invadir o local, de acordo com representantes da Otan e da polícia afegã.

Pelo menos um dos insurgentes estaria vestindo uma burka, de acordo com fontes da polícia citadas por agências de notícias.

A cidade de Mazar-e-Sharif era considerada relativamente tranquila

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a violência em Mazar-e Sharif, classificando-a de "ultrajante e covarde".

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse que o ataque foi "desumano" e feriu valores islâmicos e afegãos.

Ao todo, morreram 14 pessoas na sexta-feira. A polícia local disse à BBC que 27 pessoas foram presas em Mazar-e Sharif.

O estopim da violência também foi a queima de um exemplar do Alcorão em uma igreja americana no mês passado.

O presidente americano, Barack Obama, condenou os eventos "nos termos mais duros" e disse que o trabalho da ONU no Afeganistão "é essencial para construir um país mais forte para o bem de todos os seus cidadãos".

Queima

No dia 20 de março, o pastor americano Wayne Sapp ateou fogo em uma cópia do livro sagrado dos muçulmanos em uma igreja da Flórida.

O evento aconteceu na presença de Terry Jones, outro pastor da Flórida que no ano passado foi bastante condenado por seus planos de queimar uma cópia do Alcorão no aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001.

À época, Jones desistiu dos planos, mas, questionado se sentia-se responsável pelos eventos desta sexta-feira no Afeganistão, Jones disse não ser "de forma nenhuma responsável pelas ações".

"Se eles não tivessem usado a queima do Alcorão, teriam encontrado outra desculpa", afirmou.

Protestos contra a queima do livro sagrado dos muçulmanos ocorreram em diversas cidades afegãs, com manifestantes chamando os eventos de "dia de fúria".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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