AFP PHOTO / BERTRAND LANGLOIS
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Protestos contra reforma trabalhista na França afetam usinas nucleares e refinarias

Sindicatos convocaram o oitavo dia de manifestações desde o início do movimento. Trabalhadores argumentam que nova lei iria piorar as condições de trabalho

O Estado de S. Paulo

26 Maio 2016 | 11h34

PARIS - Os trabalhadores das usinas nucleares na França se juntaram nesta quinta-feira, 26, à onda de greves contra a reforma trabalhista do governo socialista, que têm provocado escassez de combustível e outros problemas econômicos.

Os sindicatos convocaram um novo dia de protestos, o oitavo desde o início do movimento há três meses, que em várias ocasiões acabaram em confrontos violentos com as forças policiais. A próxima manifestação está marcada para 14 de junho.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, sob pressão, admitiu a possibilidade de "mudanças" ou "melhorias" no projeto de lei, e anunciou que receberia no sábado representantes "do setor petrolífero". No entanto, o chefe de governo voltou a descartar a retirada do texto controverso.

Na quarta-feira, Valls afirmou que a CGT, que lidera os protestos, "não dita a lei no país", e nesta quinta-feira voltou a criticar a "irresponsabilidade" da união sindical. O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, convocou, por sua vez, "uma generalização da greve".

Segundo o governo, a lei vai dar mais flexibilidade às empresas para combater o desemprego. Já os manifestantes consideram que aumentará a insegurança no trabalho e criticam nomeadamente o artigo 2, que dá prioridade aos acordos particulares sobre as negociações de sindicatos profissionais, precarizando as condições de trabalho.

A contestação divide profundamente a esquerda francesa. O governo precisou recorrer a um instrumento constitucional que permite aprovar uma lei sem passar pelo voto no Parlamento, antes de ser tramitada no Senado.

Petróleo. O bloqueio de refinarias e depósitos de petróleo forçou o governo a utilizar suas reservas estratégicas de combustível. O Estado havia utilizado na quarta-feira 3 dos 115 dias de reservas disponíveis.

"Vamos fazer todo o necessário para garantir o abastecimento dos franceses e da economia", disse o presidente François Hollande.

Cinco dos oito depósitos de combustível permaneciam bloqueados ou operando bem abaixo de sua capacidade, depois que as forças de segurança dispersaram pela manhã os ativistas que bloqueavam um deles.

Longas filas se formam há vários dias nos postos de gasolina, que em muitos casos racionam a distribuição. Os depósitos de quase um terço dos postos de combustível estão secos ou quase vazios. Um aplicativo para celular tem ajudado os motoristas indicando onde ainda há combustível disponível.

Centrais nucleares. A contestação subiu um novo degrau nesta quinta-feira, com o voto a favor da greve nas 19 usinas nucleares do país. "Entre 50% e 80% dos funcionários estão em greve, de acordo com as centrais", afirmou a porta-voz da CGT nesse setor, Marie-Claire Cailletaud, admitindo que, para manter o fluxo, a França "provavelmente será forçada a importar energia" de países vizinhos.

O organismo que administra a rede elétrica nacional, RTE, afirmou por sua vez que "a oferta de produção disponível (...) é suficiente para cobrir as necessidades de eletricidade do país". A oferta foi reduzida em 25% na central de energia elétrica de Nogent-sur-Seine, cerca de 100 km ao sudeste de Paris.

O movimento de protesto também tem provocado interrupções nos transportes. A companhia ferroviária SNCF informou na quarta-feira sua quinta greve desde março. A Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC) recomendou que as empresas reduzam em 15% os seus voos de quinta-feira para o aeroporto Paris-Orly. /AFP

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