Thilo Schmuelgen/Reuters
Thilo Schmuelgen/Reuters

Protestos contra restrições pelo coronavírus na Alemanha terminam em confrontos com a polícia

Milhares de pessoas, a maioria sem máscara, reuniram-se na cidade de Kassel para expressar sua insatisfação com as medidas aplicadas pelas autoridades para reduzir as infecções

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2021 | 12h43

KASSEL, ALEMANHA  - A polícia alemã e manifestantes que se opõem às restrições em vigor para conter a pandemia do coronavírus se enfrentaram neste sábado, 20, na cidade de Kassel, no centro da Alemanha. As forças policiais usaram spray de pimenta quando um grupo de pessoas tentou romper um cordão policial para se juntar a outro grupo de manifestantes. 

Milhares de pessoas, a maioria sem máscara, reuniram-se na cidade para expressar sua insatisfação com as medidas aplicadas pelas autoridades para reduzir as infecções. 

Cerca de 10 mil pessoas participaram dos protestos em Kassel e, além dos confrontos com a polícia, também houve várias brigas com aqueles que protestavam contra os manifestantes. No último fim de semana, outras manifestações menores aconteceram em outras cidades alemãs.

A polícia disse que vários manifestantes foram detidos, mas não deu um número específico. "Isso não é o que um protesto pacífico deveria ser", tuitou a polícia da região de Hesse do Norte. A polícia reportou "repetidos ataques" contra os serviços de emergência e alertou: "Não vamos tolerar ataques deste tipo".

O protesto foi convocado pelo chamado Querdenker, ou movimento de Pensadores Laterais, que agrupa aqueles que consideram injustificadas as medidas restritivas contra a pandemia. Sob esse rótulo, estão extremistas da esquerda, da direita, adeptos das teorias da conspiração e antivacinas.

Alguns dos participantes brandiram faixas com os dizeres "Chega de confinamento" e "Rebeldes Corona", bem como bandeiras com o lema "Querdenker". O fundador do movimento, Michael Ballweg, pediu a seus seguidores no fim de dezembro que suspendessem os protestos até a primavera (norte). 

Em Berlim, cerca de 1,8 mil policiais estavam à espera de possíveis tumultos, mas apenas cerca de 500 manifestantes se reuniram no marco da cidade, o Portão de Brandenburgo. Enquanto isso, cerca de mil cidadãos se reuniram na Avenida Unter den Linden, em Berlim, para protestar contra a manifestação de extrema direita. 

Jornalistas como alvo

A polícia teve de intervir quando alguns manifestantes de extrema direita tentaram atacar fotógrafos da imprensa, mas, em geral, não aconteceu muita coisa, como afirmou uma porta-voz da polícia à agência de notícias dpa

Antes dos protestos em Berlim, as autoridades anunciaram que criariam três áreas especiais protegidas pela polícia para onde os jornalistas poderiam se refugiar quando atacados por manifestantes, segundo a dpa. Como já acontece em outros países, os jornalistas têm sido cada vez mais visados durante as manifestações de extrema direita na Alemanha.

O centro nacional de controle de doenças da Alemanha informou que as novas infecções estão crescendo exponencialmente à medida que a variante mais contagiosa da covid-19 detectada pela primeira vez no Reino Unido se tornou dominante no país. No sábado, o Instituto Robert Koch relatou 16.033 novos casos e registrou 207 mortes adicionais, elevando o número total de mortos para 74.565 no país./AFP e AP 

Tudo o que sabemos sobre:
protestocoronavírusAlemanha [Europa]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.