Protestos contra sentença deixam 44 mortos em Bangladesh

Manifestantes entraram em confronto com a política pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira em protesto contra a sentença de morte de um líder de um partido islâmico por crimes relacionados à guerra de independência de Bangladesh, em 1971. Pelo menos 44 pessoas já morreram durante os protestos.

Agência Estado

01 de março de 2013 | 09h09

Os últimos confrontos ocorreram nos distritos de Gainbandha e Chapainawabganj, ao norte, matando duas pessoas, informaram policiais, em condição de anonimato.

Pelo menos 42 pessoas forma mortas na quinta-feira durante manifestações contra a sentença de morte dada a Delwar Hossain Sayedee, um dos principais líderes do Jamaat-e-Islami, o maior partido islâmico do país. Na capital Daca, dezenas de partidários do Jamaat destruíram vários veículos no distrito central de Malibagh, disseram testemunhas.

O partido convocou a realização de protestos após as orações islâmicas desta sexta-feira. As autoridades, por sua vez, responderam enviando milhares de policiais e tropas paramilitares para reprimir os protestos em Daca.

O Jamaat pediu a seus partidários que se dirijam às mesquitas para oferecer uma oração conjunta especial pelos que foram mortos durante os episódios de violência na quinta-feira, mas há temores de que mais confrontos possam ocorrer nesta sexta-feira, após as orações. A emissora de televisão privada Ekattor informou que partidários do Jamaat montaram bloqueios algumas estradas do país.

"Nós precisamos ficar alertas. O Jamal e seus aliados estão tentando jogar o país na anarquia", declarou o ministro da Justiça Quamrul Islam. "Não vamos permitir que eles destruam a democracia."

Os ânimos têm estado alterados nas últimas semanas, depois que suspeitos foram julgados por acusações de terem cometido crimes durante a guerra pela independência do país do Paquistão. O governo diz que pelo menos 3 milhões de pessoas foram mortas e 200 mil mulheres estupradas por tropas paquistanesas e colaboradores locais durante o conflito.

Milhares de estudantes montaram acampamento num cruzamento de Daca, no mês passado, exigindo a execução de um líder do Jamaat, que recebem pena de prisão perpétua por assassinatos em massa.

Sayedee foi condenado à morte por assassinatos em massa, estupro e atrocidades cometidas durante a sangrenta guerra, que durou nove meses. Seus partidários responderam ao veredicto saindo às ruas, onde entraram em confronto com a polícia, atacaram escritórios do governo e retiraram trilhos de trem em algumas partes do país. Os manifestantes também atearam fogo em casas pertencentes a partidários do governo. A polícia respondeu com disparos e gás lacrimogêneo.

O porta-voz do opositor Partido Nacionalista de Bangladesh, Mirza Fakhrul Islam, acusou as forças de segurança de matarem deliberadamente os manifestantes. "Trata-se de uma outra forma de assassinato em massa", disse ele. "Temos de nos levantar contra tais brutalidades."

O Jamaat é aliado do Partido Nacionalista de Bangladesh, que é liderado pela ex-premiê Khaleda Zia, e foi parceiro de seu governo entre 2001 e 2006. O Jamaat também convocou uma greve geral nacional para domingo e segunda-feira, em protesto contra o veredicto.

Sayedee, que era professor num seminário islâmico na época dos supostos crimes, é o terceiro réu a ser condenado por crimes de guerra pelo tribunal especial criado em 2010. Seu advogado, Abdur Razzak, disse que a decisão teve motivação política e que vai apelar do veredicto na Suprema Corte.

Já o promotor Syed Haider Ali declarou estar satisfeito com a decisão judicial. "A justiça foi feita para aqueles que perderam seus entes queridos nas mãos de Sayedee", disse ele. O Jamaat, o maior partido islâmico de Bangladesh, fez campanha contra a independência do país, mas nega ter cometido atrocidades. As informações são da Associated Press.

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