AP Photo/Alex Brandon
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Protestos contra veto a refugiados crescem e Trump ataca senadores

Presidente dos EUA defende decisão de impedir entrada de sírios e barrar temporariamente viajantes de outras seis nacionalidades; parlamentares do Partido Republicano são acusados por líder de tentar ‘iniciar a 3ª Guerra’ após críticas

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2017 | 20h59

WASHINGTON - Dezenas de milhares de pessoas saíram ontem às ruas para protestar contra o decreto de Donald Trump que proíbe refugiados de todo o mundo e cidadãos de sete países muçulmanos de entrarem nos EUA. Criticada por líderes estrangeiros, especialistas em política externa e políticos democratas e republicanos, a medida foi suspensa de maneira parcial por juízes em diferentes Estados americanos.

Apesar da reação, a Casa Branca indicou que poderá estender o veto a outros nações como Arábia Saudita, Paquistão, Afeganistão e Egito. Atuantes em questões relacionadas à segurança nacional, os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham afirmaram que o decreto vai prejudicar os esforços dos EUA de combate ao terrorismo.

“Esse decreto manda um sinal, intencional ou não, de que a América não quer que muçulmanos venham ao nosso país. É por isso que nós tememos que o decreto ajudará mais o recrutamento de terroristas do que reforçará a nossa segurança”, disseram os senadores em nota. Em resposta, Trump afirmou no Twitter que os parlamentares estão tentando “iniciar a 3.ª Guerra”.

As milhares de pessoas que saíram às ruas ontem manifestaram a rejeição a uma medida que consideram contrária aos valores americanos e à tradição de recebimento de imigrantes. “Acordei no sábado e tive a sensação de que estava vivendo em um país diferente. Essa não é a América que eu conheço”, disse Amy Couch, que participou do protesto em Washington.

O manifestantes se reuniram em frente à Casa Branca e caminharam na direção do Congresso. Quando passaram em frente ao Trump Hotel, houve vaias e gritos de “vergonha, vergonha”. Veterano de guerra que participou de três missões de combate no Afeganistão, John Lee disse que a medida é inconstitucional e imoral e tornará os EUA menos seguros. “A força do nosso país é a sua diversidade.”

A aplicação do decreto foi caótica e atingiu viajantes que estavam voando para os EUA ou tentavam embarcar para o país. Pessoas que já haviam obtido o status de refugiadas e se preparavam para iniciar uma nova vida nos EUA foram impedidas de voar. Estudantes de universidades americanas em férias não puderam retornar ao país. O chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, afirmou ontem que estrangeiros detentores do “green card” - permissão para residência permanente - serão autorizados a entrar.

A Casa Branca divulgou uma declaração de Trump defendendo sua decisão. “Para ser claro, isso não é um veto a muçulmanos, como a mídia está falsamente reportando”, disse o presidente, ressaltando que mais de 40 países de maioria islâmica não foram atingidos pelo decreto.

Dois dias após vetar por prazo indeterminado a entrada de refugiados sírios no país, Trump afirmou ter “sentimentos tremendos” em relação à crise humana provocada pela guerra civil que já dura quase seis anos.

Resistência. Juízes de diferentes Estados americanos suspenderam de maneira parcial o decreto. Apesar das decisões, o governo disse que continuará a implementar a medida, que impediu inúmeras pessoas com vistos válidos de embarcarem para cidades americanas desde sexta-feira.

Semelhantes às liminares brasileiras, as decisões judiciais têm caráter temporário e abrangência limitada. As concedidas ontem tiveram como principal preocupação impedir a deportação de pessoas que chegaram ao país de maneira regular, com vistos, green card ou status de refugiados. As liminares não impedem que viajantes sejam barrados nos aeroportos de origem.

A mais importante decisão foi proferida no sábado pela juíza Ann Donnelly, de uma corte federal em Nova York. Segundo ela, a deportação provocaria danos irreparáveis aos que foram barrados nos EUA. Ann disse ainda que há uma “grande chance de sucesso” de os autores da ação demonstrarem que o decreto de Trump viola as garantias de devido processo legal e tratamento igualitário estabelecidas pela Constituição americana. 

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