EFE/ Carlos Ortega
EFE/ Carlos Ortega

Protestos contra violência policial na Colômbia deixam ao menos 10 mortos

Manifestações começaram na noite de quarta-feira em vários pontos da capital colombiana e se estenderam para cidades como Medellín e Cali

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 13h45
Atualizado 10 de setembro de 2020 | 19h37

BOGOTÁ - Ao menos dez pessoas morreram e centenas ficaram feridas em meio aos protestos e tumultos que eclodiram na quarta-feira, 9, em Bogotá, após a morte de um homem por repetidos choques dados por dois policiais com uma arma elétrica, segundo um relatório oficial. Os protestos também deixaram vários postos de polícia destruídos.

As manifestações começaram na noite de quarta-feira em vários pontos da capital colombiana e se estenderam para cidades como Medellín e Cali. Pelo menos três das vítimas em Bogotá morreram por ferimentos de bala, entre elas um menor de 17 anos, informou a polícia em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 10.

Houve fortes confrontos na capital que foram registrados em vídeos, e uma onda de ataques a postos de comando conhecidos como Centros de Atenção Imediata (CAI). "Estamos diante de um ato maciço de violência", afirmou o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, também em uma entrevista coletiva.

No Twitter, a prefeita de Bogotá, Claudia López, informou sobre 362 feridos: 248 civis e 114 uniformizados. Entre os "cidadãos feridos", 58 foram baleados. "Houve um uso indiscriminado de armas de fogo. Estamos nos hospitais acompanhando as famílias e reconstruindo os fatos", acrescentou a prefeita.

Grupos de manifestantes denunciaram nas redes sociais novos excessos da polícia durante os protestos desencadeados pela morte de Javier Ordóñez, um advogado de 46 anos e pai de dois filhos.

O relatório do governo registrou 56 postos de comando "vandalizados", assim como 70 presos por danos e "violência contra a força pública".

A agressão que gerou os violentos protestos ocorreu na madrugada de quarta-feira no noroeste de Bogotá e foi filmada por uma testemunha e amigo de Ordóñez. 

A sequência de cerca de dois minutos mostra o momento em que os militares dominam Ordóñez. Uma vez no chão, os agentes aplicam nele pelo menos cinco choques de vários segundos com uma arma elétrica.

"Chega, por favor", ouve-se Ordóñez suplicando, repetidas vezes. Depois de receber os choques, Ordóñez foi levado para um posto policial e, de lá, para uma clínica, onde não resistiu e morreu.

Segurança reforçada

As investigações e autópsia devem determinar se Ordóñez recebeu mais punições no CAI para onde foi levado, como sugere sua família. Os policiais que prenderam Ordóñez  foram suspensos, segundo o ministro da Defesa.

O caso lembra o episódio sofrido pelo negro americano George Floyd. Ele foi morto em Minneapolis, nos EUA, em maio, sufocado por um policial branco que o imobilizou com um joelho no pescoço. Depois de sua morte, fortes protestos explodiram no país e continuam ecoando.

Neste suposto homicídio, envolvendo militares colombianos, ainda há várias perguntas sem resposta. Em uma primeira versão, a polícia afirmou que os agentes atenderam a uma denúncia sobre transtornos causados pelo consumo de álcool. Ordóñez supostamente agrediu os uniformizados, que responderam usando sua arma Taser.

"Expressamos a dor pela morte de Javier Ordóñez e nosso reiterado sentimento de solidariedade para com seus parentes. O governo nacional continuará prestando toda colaboração exigida pelas autoridades competentes para que os fatos sejam esclarecidos o mais rápido possível", afirmou o ministro da Defesa.

Em mensagem à imprensa, o ministro também anunciou que aumentará a presença das forças da ordem em Bogotá com 1.600 policiais e 300 militares.

A prefeita Claudia López pediu, por sua vez, uma "reestruturação profunda e séria na polícia". Segundo ela, desde o início do ano foram apresentadas 137 denúncias por uso excessivo da força da polícia em Bogotá. "Há um problema estrutural de casos de abuso policial e, além disso, impunidade", criticou a prefeita, em declarações à imprensa.

Em novembro de 2019, por exemplo, Dilan Cruz, um jovem de 18 anos que participava de um protesto contra o governo, foi baleado na cabeça por um membro do Batalhão de Choque e morreu. Em agosto de 2011, um artista urbano identificado como Diego Becerra faleceu após levar um tiro de um policial, quando pintava um grafite em Bogotá./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.