Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Protestos convocados por Guaidó na Venezuela têm baixa participação

Pelo segundo sábado consecutivo as manifestações convocadas pelo autoproclamado presidente interino para pressionar o chavismo estiveram esvaziadas

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2019 | 16h40

Pelo segundo sábado consecutivo as manifestações convocadas pelo autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, para pressionar o chavismo estiveram esvaziadas e com baixa participação. Desde abril Guaidó tenta, sem sucesso, conseguir a adesão de militares ainda leais ao presidente Nicolás Maduro, mas a participação popular nas marchas convocadas por ele tem caído.

Neste sábado, 11, apenas algumas centenas de pessoas se reuniram na praça Alfredo Sadel, no leste de Caracas, região de maioria opositora, para ouvir o discurso de Guaidó. Ao contrário de outras ocasiões, não houve marchas por Caracas e nem múltiplas concentrações de opositores. 

"Nada substitui a pressão dos venezuelanos. Nada substitui o exercício dos cidadãos", afirmou Juan Guaidó, recebendo tímidos aplausos, conforme vídeo exibido pelo site venezuelano Efecto Cocuyo. “Eu digo que é para gerar a mudança mais rápida na Venezuela, porque estamos numa crise profunda, é o fim do usurpador. Fora de Miraflores. Mas também sabemos que isso não vai ser voluntário. Vivemos uma ditadura", disse, deixando no ar a hipótese de intervenção externa.

Guaidó convocou a população insatisfeita com o chavismo para promover “protestos diários e marchas contínuas” pelas ruas do país. “Temos que manter a pressão nas ruas, diariamente, mostrando ao mundo que somos um povo determinado e decidido a atingir a liberdade”.

O líder oposicionista disse que mantém comunicação com os diversos atores no conflito da Venezuela, incluindo as Forças Armadas, o presidente colombiano Iván Duque, o Grupo de Contato e, até mesmo, o governo chinês. “Recebemos uma comunicação da diplomacia da China, e eles dizem que querem uma solução rápida através das abordagens do Grupo de Contato”, disse Guaidó.

A manifestação acontece dias depois do fracasso de uma rebelião militar anunciada pelo líder da oposição que tentava tirar do poder o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e que provocou uma dura respostas do chavismo. Na semana passada, a Assembleia NAcional COnstituinte, controlada por Maduro, suspendeu a imunidade de dez parlamentares opositores e abriu caminho para a prisão de Edgar Zambrano, braço-direito de Guaidó e vice-presidente da Assembleia Nacional, controlada pela oposição. 

Também foram convocadas manifestações em diversas cidades do país, em um teste do nível de mobilização dos opositores depois do levante fracassado de 30 de abril, que provocou uma ofensiva do governo: um deputado foi preso, três se refugiaram em sedes diplomáticas e outro fugiu para a Colômbia.

"Vim em apoio aos deputados da Assembleia Nacional, que está sendo destruída, estão dissolvendo ela", afirmou em Caracas à AFP Daisy Montilla, de 69 anos, com a bandeira da venezuela nas costas. "É uma ofensiva forte demais. O que peço aos Estados Unidos é que nos apoiem para que se restabeleça a democracia", disse Alexander Mendoza, comerciante de 30 anos, integrante de um grupo que carregava uma bandeira da Venezuela e outra americana.

Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, mantém-se na disputa pelo poder com Maduro, em meio à mais grave crise econômica e social da potência petroleira em sua história recente. Ele se autoproclamou presidente interino, em uma manifestação em 23 de janeiro, após o Parlamento ter declarado a reeleição do líder socialista ilegítima. O engenheiro industrial de 35 anos liderou manifestação e pediu para os militares abandonarem Maduro para fazer uma transição e "eleições livres"./ AFP e EFE

 

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