Protestos corporativistas pressionam Evo

O governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, tem enfrentado uma série de protestos contra seu governo. Greves e mobilizações de setores essenciais, como o de saúde e o de segurança pública, assim como a perda de apoio de parte de lideranças indígenas, obrigaram Evo a ceder para não perder apoio. Essa estratégia, dizem analistas e pesquisas de opinião, fortaleceu o corporativismo do funcionalismo e aumentou a percepção dos conflitos sociais no país.

AE, Agência Estado

19 de agosto de 2012 | 07h53

"Evo está atravessando um momento difícil. Cada vez tem encontrado menos possibilidades de implementar seu projeto de governo", disse ao Estado, por telefone, o cientista político Roberto Laserna, do Centro de Estudos da Realidade Econômica e Social (Ceres). "O governo mantém o controle dos aparatos institucionais por meio do incentivo ao corporativismo. Cada grupo pressiona Evo para obter vantagens."

Neste ano, os médicos bolivianos cruzaram os braços por 52 dias em protesto por melhores salários. Houve também uma greve de policiais, um protesto de mineiros, além da segunda marcha dos indígenas do Parque Nacional Isiboro Secure (Tipnis), que caminharam da Amazônia boliviana a La Paz para protestar contra a construção da estrada.

"Esses protestos são imediatistas e corporativistas, mas é curioso que até agora não houve uma queda na popularidade do presidente", explica Laserna. "Isso acontece porque a economia está num bom momento, as exportações estão em alta e o governo tem caixa para manobrar."

Ainda de acordo com o analista, a polêmica em torno do Tipnis deriva do caráter fragmentado da esquerda boliviana, que constitui o Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Evo. Com a oposição de direita desmobilizada, a cisão no governo entre desenvolvimentistas e ecológicos tornou-se evidente.

"Há diversas esquerdas na Bolívia, e principalmente no governo. Há a esquerda estatista, que tenta impulsionar o projeto da estrada no Tipnis, que defende o desenvolvimentismo e a redução da pobreza, e há a esquerda ecológica, representada pelos movimentos indígenas, da qual Evo toma muito de sua legitimidade e é contra o projeto por violar área indígena. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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