Protestos curdos deixam mais um morto na Turquia

Manifestantes curdos saquearam uma repartição pública e incendiaram uma agência bancária em mais um dia de protestos contra a violência no sudeste da Turquia. A polícia reprimiu a manifestação deste sábado, 1º, com disparos para o alto e bombas de gás lacrimogêneo. Um homem curdo de 27 anos foi morto com um tiro na cabeça. Dezesseis pessoas ficaram feridas, inclusive sete policiais, disse o governador de Kiziltepe, Mehmet Kiliclar. Pelo menos 30 manifestantes foram detidos, completou. Ao todo, as manifestações no sudeste turco já mataram oito civis em cinco dias, inclusive um menino de três anos, e 21 rebeldes. Os manifestantes atiraram pedras e bombas caseiras, saquearam escritórios do governo e colocaram fogo em um banco. Milhares de curdos de Kiziltepe, na província de Mardin, tentaram marchar até o escritório local do partido do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan para protestar contra a violência no sudeste da Turquia, disse Nazmi Gur, do partido pró-curdo Sociedade Democrata. A polícia também entrou em confronto com manifestantes na cidade de Silopi, perto da fronteira com o Iraque, e na cidade vizinha, Yuksekova. Várias pessoas ficaram feridas. Protestos A luta entre curdos e a polícia turca e paramilitares começou após os funerais de militantes curdos mortos em confrontos com os militares. Erdogan alertou que os pais deixem as crianças longe dos conflitos. "Nossa segurança irá tomar todas as medidas necessárias para intervir contra aqueles que espalham o terrorismo, mesmo que esses sejam crianças e mulheres", completou ele. Bomba Em Istambul, que é a cidade com a maior população curda, uma bomba escondida em um contêiner de lixo perto de um ponto de ônibus deixou ontem uma pessoa morta e 13 feridas, informou a polícia local. O grupo militante Kurdistan Freedom Falcons, assumiu a responsabilidade do ataque e disse que foi em resposta a recente violência no sudeste. Acredita-se que o grupo seja relacionado com a maior guerrilha curda, o Kurdistan Workers Party (PKK), considerada pela União Européia e os Estados Unidos como uma organização terrorista. Em Bruxelas, representantes da União Européia pediram a Turquia que tome medidas urgentes para encontrar uma solução pacífica aos protestos. A Turquia está tentando ingressar ao grupo. O conflito separatista das guerrilhas curdas já deixaram 37 mil pessoas mortas no sudeste do país desde 1984.

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