Azamat Imanaliyev/AP
Azamat Imanaliyev/AP

Protestos da oposição no Quirguistão deixam ao menos 47 mortos

Ministro do Interior foi morto e Parlamento foi invadido; oposição pede a renúncia do presidente

Efe

07 de abril de 2010 | 08h34

MOSCOU - Pelo menos 47 pessoas morreram e cerca de 400 ficaram feridas nesta quarta-feira, 7, durante confrontos entre partidários da oposição e as forças de segurança em Bishkek, capital do Quirguistão. O ministro do Interior, Moldomus Kongantiyev, também foi morto em outra manifestação na cidade de Talas, informou o Ministério da Saúde. Opositores dizem que até cem pessoas morreram.

 

Veja também:

linkSaiba mais sobre o Quirguistão

linkOposição se encontrará com presidente

linkONU, EUA e Rússia pedem calma e diálogo

mais imagens Veja imagens dos conflitos em Bishkek

 

Os oposicionistas começaram os protestos em frente à sede do governo, pedindo a libertação de seus líderes políticos e a renúncia do atual presidente Kurmanbek Bakiyev. As tensões no país aumentaram devido o crescimento das políticas autoritárias do presidente Bakiyev, segundo grupos defensores dos direitos humanos.

 

Os prisioneiros foram posteriormente libertados, e Temir Sariyev, líder da oposição, informou que se encontrará com Bakiyev em breve. "Nós vamos à sede do governo. Provavelmente para falar com o presidente", disse, acrescentando que seria acompanhado de mais três membros do Partido Social Democrata. O encontro com Bakiyev foi negociado com o primeiro-ministro do Quirguistão, Daniyar Usenov.

 

Os manifestantes também tomaram o Parlamento e atearam fogo ao primeiro andar da sede promotoria de Bishkek. As forças de segurança se retraíram e os opositores passaram a investir com veículo contra os prédios do governo na capital.

 

A Polícia abriu fogo contra os manifestantes usando balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar os protestos, que ocorriam em frente à sede do governo. Ativistas de direitos humanos, porém, disseram que as forças de segurança passaram a usar cartuchos nos disparos, o que ocasionou a morte de ao menos 40 pessoas e deixou mais de 400 feridos, segundo o Ministério da Saúde, embora os oposicionistas digam que o número de vítimas supera cem. Autoridades da ex-república soviética anunciaram que três líderes oposicionistas foram presos por "crimes sérios".

 

Uma fonte no escritório do Ministério do Interior revelou que o ministro Moldomus Kongantiyev foi morto nos distúrbios em Talas, cidade no noroeste do país onde os tumultos começaram. Kongantiyev havia sido atacado por manifestantes em Talas, que também capturaram o vice-primeiro-ministro Akylbek Zhaparov, segundo a agência estatal Kabar.

 

As autoridades libertaram cerca de 10 líderes da oposição após a situação da segurança piorar drasticamente na capital quirguiz. Isa Omurkulov, membro do Partido Social Democrata, da oposição, disse que um deles era Temr Sariyev, um dos líderes do movimento anti-Bakiyev. "Todos estão em boas condições e estão se reunindo agora. Infelizmente a multidão está enfurecida e será difícil restabelecer a calma", disse.

 

 

Emergência

 

A Prefeitura declarou em Bishkek um "regime de situação de emergência" sob o que, segundo um porta-voz oficial, não impõe restrições aos cidadãos, mas é recomendado não sair à rua, informou a agência oficial russa Itar-Tass.

 

A oposição reclama do que chamam de políticas autocráticas do presidente Bakiyev, mas ao que tudo indica, a causa imediata para os protestos foi o descontentamento com o aumento dos preços dos serviços públicos.

 

Nesta quarta-feira o governo acusou a oposição de incitar a violência. "Seu objetivo é criar instabilidade na sociedade" disse um representante do parlamento.

 

O Quirguistão, com cerca de 5 milhões da habitantes, é um dos países mais pobres da antiga União Soviética, e há muito tempo vem sofrendo com a corrupção e violência.

 

Presidente

 

Bakiyev foi reeleito com certa facilidade ano passado em eleições que segundo organizações independentes foi regada a fraudes.

 

Ele ingressou no governo em 2005 depois da Revolução das Tulipas, a terceira de uma série que promoveram mudanças mais democráticas em antigas repúblicas da União Soviética. Desde então, Bakiyev tem consolidado seu poder, perseguindo a oposição e a mídia independente.

 

Atualizado às 11h27

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.