Protestos de ex-soldados deixam pelo menos quatro mortos no Timor

Centenas de ex-soldados incendiaram carros e lojas nesta sexta-feira em Díli, capital do Timor Leste, durante violentos confrontos com a polícia que deixaram pelo menos quatro mortos - dois deles civis - e 27 feridos, segundo testemunhas. Os ex-soldados, demitidos no mês passado por causa de uma greve contra "condições discriminatórias de trabalho", realizaram protestos na capital do Timor ao longo de toda a semana, mas a manifestação desta sexta-feira foi a mais violenta. A polícia lançou gás lacrimogêneo depois que os manifestantes incendiaram nove carros perto dos gabinete do premiê Mari Alkatiri, horas depois que ele prometeu investigar as reclamações dos soldados. Houve tiroteio perto de um mercado local. O diretor de um hospital público, Antonio Caleres, disse que dois civis foram mortos nos confrontos - atingidos por balas. Entre os feridos estão vários policiais. Cerca de 600 soldados - um terço das Forças Armadas do Timor - foram demitidos em março depois de um mês de paralisações contra supostas discriminações no ambiente de trabalho. Muitos deles haviam lutado contra a Indonésia pela independência do Timor Leste - nação mais nova do mundo - e reclamavam que nunca eram promovidos e ficavam com os piores trabalhos da corporação. Após uma reunião sigilosa com o presidente Xanana Gusmão, nesta sexta, o primeiro-ministro disse que o governo concordou em formar um comitê para tentar solucionar o problema. O grupo deve ser formado por oficiais do governo, religiosos e intelectuais. A Indonésia invadiu o Timor Leste em 1975 e dominou o território até 1999, quando um plebiscito organizado pela Organização das Nações Unidas resultou no restabelecimento da independência. Em um ato final de vingança, tropas indonésias e milícias destruíram a maioria da infra-estrutura do país e mataram pelo menos 1,5 mil pessoas.

Agencia Estado,

28 Abril 2006 | 14h11

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