Protestos de palestinos contra obra em Jerusalém ferem 32

Centenas de policiais israelenses cercaram nesta sexta-feira a mesquita de Al-Aqsa, a terceira mais importante para o Islamismo, em Jerusalém, e dispararam bombas de efeito moral contra fiéis palestinos armados com pedras e garrafas. A investida policial durante o tradicional dia de orações para os muçulmanos foi uma reação a uma onda de protesto contra uma polêmica reforma promovida pelo governo de Israel na Esplanada das Mesquitas, um local de Jerusalém sagrado para muçulmanos. O objetivo das obras é construir uma nova passarela que dê acesso à Al-Aqsa.Mas nos últimos dias, líderes árabes e palestinos fizeram chamados por protestos contra as escavações, que segundo eles estariam minando as fundações da mesquita. Países de maioria muçulmana como Egito e Jordânia já pediram para que Israel suspenda as obras. O governo israelense, por sua vez, alega que as escavações não provocarão danos ao complexo. Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeitou a avaliação do ministro da Defesa, Amir Peretz, de que a reforma deveria ser suspensa.Teme-se que os embates possam espalhar as manifestações para a Faixa de Gaza e Cisjordânia, como ocorreu no início da Intifada de 2000. À época, os protestos tiveram como estopim uma visita do ex-premier israelense Ariel Sharon ao complexo, conhecido como Monte do Templo pelos judeus e al-Haram al-Sharif pelos muçulmanos.Segundo estimativas da polícia israelense, nove mil muçulmanos rezavam no local no momento em que manifestantes armados com pedras enfrentaram as forças de segurança do lado de fora de Al-Aqsa. Um reforço de 200 agentes da polícia foi enviado ao local numa tentativa de dispersar os indignados manifestantes muçulmanos.De acordo com testemunhas, os policiais invadiram a Esplanada das Mesquitas, lançaram bombas de efeito moral e dispararam balas de borracha. A polícia nega que balas de borracha tenham sido disparadas."A polícia usou bombas de efeito moral e conseguiu controlar totalmente o Monte do Templo. As forças de segurança trabalham cuidadosamente para dispersar os amotinados", disse Micky Rosenfeld, porta-voz da polícia.No total, 17 pessoas foram detidas, algumas delas nas ruas localizadas fora dos muros da parte antiga de Jerusalém, conhecida como Cidade Velha. O local foi tomado por Israel durante a Guerra do Oriente Médio, em 1967.Em um dos momentos mais tensos dos confrontos, cerca de 150 manifestantes correram para o interior de Al-Aqsa. A polícia deteve-se perto da mesquita, mas não a invadiu. Alguns minutos mais tarde, os manifestantes começaram a deixar o local.Saldo da violênciaAo todo, 32 pessoas ficaram feridas nos confrontos, sendo 17 manifestantes e 15 policiais. Depois dos episódios de violência, a polícia israelense fechou todos os portões da Cidade Velha de Jerusalém e desconectou os alto-falantes por meio dos quais líderes incitavam os manifestantes.Apenas mulheres e homens com mais de 45 anos de idade têm recebido autorização para participar das orações no local devido ao temor de que aconteçam distúrbios. O serviço de emergência Zaka informou que conflitos envolvendo manifestantes armados com pedras aconteceram em outros pontos de Jerusalém. Não há informações sobre vítimas nesses episódios. A Zaka acrescentou que policiais estavam sendo levados para o norte do país devido à previsão de que haverá grandes protestos ainda na sexta-feira, na cidade de Nazaré. Em Hebron, na Cisjordânia ocupada, testemunhas contaram que o Exército israelense fechou o centro da cidade depois de jovens terem atirado pedras e colocado fogo em pneus. Três pessoas foram atendidas em um hospital dali após terem inalado gás lacrimogêneo. Segundo Rosenfeld, as forças de segurança contavam com a colaboração de parlamentares árabe-israelenses e de clérigos muçulmanos para dispersar os fiéis que ficaram presos dentro da mesquita após a polícia ter fechado as portas do local. Texto ampliado às 13h40

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