Protestos deixam pelo menos 31 mortos no Paquistão

Tropas foram convocadas nestasexta-feira para controlar a pior onda de violência política noPaquistão em vários anos, desencadeada pelo assassinato dalíder da oposição Benazir Bhutto. Segundo autoridades, 31 pessoas, entre elas quatropoliciais, morreram desde a notícia do assassinato daex-premiê, na quinta-feira. Ela foi morta ao sair de um comícioeleitoral em Rawalpindi, perto de Islamabad, num ataque a tirose a bomba. No ataque, pelo menos outras 16 pessoas morreram. A maioria das mortes aconteceu em Sindh, sul do país, localde nascimento de Bhutto e um de seus principais redutos. Soldados foram designados para várias parte de Sindh,segundo autoridades, e bancos e escolas ficaram fechados emtodo o país. A violência agravou-se na sexta-feira, na pior turbulênciapolítica em anos no Paquistão, que é uma potência nuclear. A cidade de Hyderabad foi uma das mais atingidas. De acordocom testemunhas e com a polícia, cerca de 25 bancos foramincendiados, assim como cem veículos e lanchonetes de redesestrangeiras. Vagões de trem também foram incendiados, apesarde ordens para que a polícia e forças paramilitares atirassemem manifestantes violentos. As autoridades tinham dito temer que os tumultos piorassemdepois do enterro de Benazir Bhutto, na tarde de sexta-feira. Enquanto isso, no que aparentemente foi um ataquemilitante, uma bomba matou seis pessoas numa reunião eleitoralno noroeste do país. Entre os mortos estava um candidato àseleições de janeiro, pelo partido que apóia o presidente PervezMusharraf, disse a polícia. Militantes islâmicos, provavelmente ligados à Al Qaeda,estão no topo da lista de suspeitos da morte de Bhutto, e oMinistério do Interior afirmou ter "interceptações deinteligência" indicando que a Al Qaeda está por trás doassassinato. Em Karachi, maior cidade do Paquistão, as ruas estavamdesertas e as lojas fechadas. No leste da cidade, mais de 2.000pessoas atacaram uma delegacia de polícia. Roubaram armas eincendiaram veículos, além da própria delegacia, disse apolícia. Os manifestantes entoavam gritos de guerra contra opresidente Pervez Musharraf, antigo rival da ex-premiê, e quegoverna o país desde 1999, após um golpe militar. O presidentecondenou o assassinato, pediu calma e declarou luto de trêsdias. Bancos e escolas ficaram fechados em todo o país. (Reportagem adicional de Asim Tanveer) REUTERS AS MPN

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