Protestos e ameaça de falta de combustível voltam a sacudir França

Metade dos trens do país estão parados, postos de gasolina estão fechados e voos foram cancelados.

Mário Camera, BBC

18 de outubro de 2010 | 11h42

Manifestantes se chocam com a polícia em Nanterre, perto de Paris

A França voltou nesta segunda-feira a experimentar transtornos por conta das paralisações, operações-tartaruga, ameaças de falta de combustível e a adesão cada vez maior de trabalhadores e estudantes à greve contra a reforma da Previdência.

Motoristas e caminhoneiros organizaram operações-tartaruga em diversos pontos do país.

Somente na região parisiense, 192 km de engarrafamentos foram causados por manifestantes que dirigiam em baixa velocidade.

No setor ferroviário, a maioria das linhas de trem no país opera com apenas 50% de sua capacidade. Não há garantias de circulação para nenhuma delas.

Em Paris, a rede de metrô funciona com certa normalidade, mas o tráfego de trens ligando as periferias à capital registra fortes perturbações.

O Eurostar, que faz o trajeto Paris-Londres, funciona normalmente. No entanto, os sindicatos informaram que a partir da terça-feira seguirão um movimento de greve iniciado na Bélgica, que já interrompeu a ligação pelo Eurotunel entre Bruxelas e a capital britânica nesta segunda-feira.

Aviões no chão

Para esta terça-feira, estão previstas centenas de manifestações em todo o país. Milhões de pessoas devem ir às ruas.

O objetivo dos manifestantes é forçar o governo a recuar no projeto de reforma da Previdência, que tem, entre seus pontos mais polêmicos, o aumento da idade mínima de aposentadoria de 60, para 62 anos.

Segundo uma pesquisa publicada pelo jornal "Le Parisien", 52% dos franceses se dizem favoráveis a uma nova jornada de greve no país. O número chega a 72% quando perguntados se têm simpatia pelo movimento.

Mais de mil postos de gasolina estão fechados por falta de combustível. A situação pode se agravar devido ao bloqueio de 12 refinarias e três depósitos de petróleo em diversas regiões do país.

Em entrevista na noite de domingo ao principal jornal da televisão francesa, o primeiro-ministro, François Fillon, garantiu que não faltará combustível no país.

Caminhões engrossaram operação-tartaruga em Lille, no norte do país

Entretanto, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se reuniu com seus principais ministros para tratar do problema energético.

O setor nuclear, principal matriz energética da França, também começa a aderir à greve.

Trabalhadores da central de Flamanville (noroeste) aprovaram uma paralisação de 48 horas que deve afetar, no mínimo, 50% da produção local de energia.

No setor aéreo, alguns voos tiveram de ser cancelados ou decolaram com atraso. A causa foi a entrada em greve de parte dos trabalhadores responsáveis pelo abastecimento das aeronaves.

As previsões para amanhã mostram um cancelamento de entre 30% e 50% dos voos em todos os aeroportos do país.

Distúrbios

O protesto contra o projeto de reforma da previdência também ganha força entre os jovens.

Mais de 260 estabelecimentos escolares continuam bloqueados em todo o território francês e as cenas de violência entre policiais e estudantes se multiplicam.

Esta manhã foram relatados diversos casos de vandalismo e barricadas em ruas de diversas cidades.

Em Evry, cerca de 30 quilômetros ao sul de Paris, um shopping teve de ser fechado depois que jovens invadiram o local e destruíram vitrines e parte do mobiliário.

As escolas também têm sido alvo de manifestantes radicais.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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