Protestos e falta de combustíveis marcam 6º dia de greve na França

Servidores se manifestam contra reforma da previdência pretendida pelo governo de Sarkozy

Efe

19 de outubro de 2010 | 08h31

 

PARIS - As paralisações no tráfego aéreo e na atividade ferroviária da França, somadas ao fechamento de aproximadamente 20% dos postos de gasolina do país, marcam o início do 6º dia de protestos contra a reforma da previdência pretendida pelo governo do presidente Nicolas Sakorzy.

 

Segundo uma pesquisa do instituto CSA, as manifestações contra a reforma da previdência têm o apoio de 71% dos franceses. Para esta terça-feira, estão programadas 266 manifestações pelo país. As bancas já até amanheceram sem jornais em decorrência das paralisações.

 

O bloqueio, que há uma semana mantêm todas as refinarias francesas fechadas, fez com que entre 1,5 mil e 2,5 mil postos de gasolina (dos 12 mil da França) tivessem de fechar por problemas de abastecimento, segundo os profissionais do setor.

 

O abastecimento de combustíveis é especialmente difícil no oeste da França e na região litorânea da Normandia, justamente onde o presidente Nicolas Sarkozy deve se reunir com seu colega russo, Dmitri Medvedev, e com a chanceler alemã, Angela Merkel.

 

Da cidade de Deauville, o presidente francês reiterou na segunda que não desistiria da reforma "essencial" da previdência, que inclui aumentar de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 anos a idade para aposentadoria integral. Ele justificou a intervenção do Governo para garantir o abastecimento de combustíveis e evitar distúrbios.

 

A Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF, na sigla em francês) anunciou que, por enquanto, suas previsões estão sendo cumpridas. Para esta terça está prevista a circulação de 60% dos trens com saída ou destino a Paris, metade dos trens de alta velocidade (TGVs), 25% dos trens regionais e todos os Eurostar.

 

Nos aeroportos de Paris, serão cancelados 50% dos voos de Orly e 30% das chegadas e partidas do internacional Roissy-Charles de Gaulle. A companhia aérea Air France estima manter 100% dos voos de longa distância, 80% dos voos de média distância e 50% dos voos de curta distância.

 

Nas rodovias francesas, as ações de bloqueio conhecidas como "operações caracol" começam a ser sentidas sobretudo nas estradas de acesso a Paris.

 

Um terço dos professores primários também cruzará os braços, segundo os sindicatos, número que o Ministério da Educação reduz para 10%. Além disso, cinco universidades se somarão à greve. Este será um dos pontos mais sensíveis da jornada, já que os protestos estudantis resultaram em 196 detenções e em torno de 20 policiais feridos na segunda.

 

A greve também terá repercussão em La Poste - empresa pública de correios -, na France Télécom e no setor público audiovisual.

 

A ministra de Justiça francesa, Michèle Alliot-Marie, prometeu hoje "firmeza" contra aqueles que provocarem destruições durante os protestos. "Existem direitos. O direito à greve, o direito a se manifestar. Não existe o direito a destruir", declarou a titular de Justiça à emissora "Europe 1".

 

Segundo Alliot-Marie, há um verdadeiro problema porque cada vez que há manifestações com a participação de jovens, se infiltram "pequenos grupos que são pura e simplesmente arruaceiros".

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