Finbarr O'Reilly/Reuters
Finbarr O'Reilly/Reuters

Protestos e violência marcam votação na Libéria

Governo da Prêmio Nobel Ellen Sirleaf, que se tornou candidata única com boicote da oposição, reprime manifestações

O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2011 | 03h06

MONRÓVIA - Uma eleição que poderia ter consolidado a paz na Libéria ficou marcada pelo baixo comparecimento às urnas e pela violência do governo da presidente Ellen Johnson Sirleaf - que ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2011 juntamente com Leymah Gbowee e Tawakkul Karman - contra opositores que protestavam nas ruas da capital, Monróvia.

O político que enfrentava Ellen no segundo turno, Winston Tubman, manteve o boicote que convocou na semana passada contra a votação. E a primeira mulher eleita presidente no Continente Africano foi a única candidata. No entanto, o baixo comparecimento ameaça reduzir a autoridade da líder.

A violência em Monróvia começou na segunda-feira, quando centenas de partidários de Tubman tomaram as ruas para manifestar-se a favor do boicote - convocado pelo candidato sob a alegação de "fraude" no 1.º turno. As autoridades dispersaram os protestos com gás lacrimogêneo e munição real. A ONU confirmou duas mortes. Ontem, após mais um dia de manifestações, funcionários do governo afirmaram à Reuters que ao menos mais duas pessoas foram mortas.

Segundo correspondentes que trabalham na Libéria, o medo da violência e a certeza da vitória da presidente fez com que muitos de seus apoiadores também deixassem de votar. Funcionários de agências de pesquisa de opinião que trabalharam em vários postos de votação afirmaram que o comparecimento foi de 25%. No 1.º turno, em outubro, 71% dos eleitores votaram - Ellen obteve 44% dos votos e Tubman, 33%. Analistas afirmam que, mesmo se tivesse concorrido, o opositor não teria ganhado. O boicote à votação foi criticado por EUA e ONU. A denúncia de fraude usada por Tubman para justificar a ação foi considerada inconsistente.

A Libéria enfrentou uma guerra civil que deixou 250 mil mortos entre 1989 e 2003. A ONU ainda mantém cerca de 9 mil soldados no país. / REUTERS e AP

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