Scott Olson/Getty Images/AFP
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Protestos em Ferguson deixam 1 pessoa gravemente ferida

Marcha em homenagem ao 1º ano da morte de Michael Brown começou de forma pacífica, mas deu lugar a violência e tiroteio; um homem, cuja identidade não foi revelada, foi baleado após confronto

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 08h52

FERGUSON, EUA - Um homem foi gravemente ferido na madrugada desta segunda-feira, 10 (noite de domingo nos EUA) em um tiroteio com a polícia de Ferguson, no Estado americano do Missouri, após um dia de protestos pacíficos para marcar um ano da morte a tiros de Michael Brown - adolescente negro desarmado - por um policial branco.

Vários disparos de armas de fogo foram ouvidos enquanto policiais da tropa de choque tentavam dispersar manifestantes que bloqueavam o tráfego e quebravam vitrines. A aglomeração se concentrou na mesma rua dos principais protestos à época da morte de Brown, de 18 anos.

A polícia disse que os disparos começaram com uma troca de tiros entre dois grupos aparentemente rivais. Quando um homem armado saiu correndo por um estacionamento, quatro policiais em um carro à paisana o interceptaram. O suspeito abriu fogo contra a viatura e foi gravemente ferido na perseguição a pé que se seguiu, ao trocar tiros com os quatro policiais, informou a polícia.

"Vários disparos em Ferguson. Por favor, abandonem a área de Ferguson e o oeste de Floristan", alertou minutos antes a conta oficial de Twitter do departamento policial do condado de St. Louis.

O chefe de polícia do condado de St. Louis, Jon Belmar, disse que um homem não identificado, que deve ter em torno de 20 anos, foi hospitalizado em estado crítico porém estável, sendo submetido a cirurgia. 

Em uma entrevista anterior nesta segunda-feira, Belmar estimou terem sido disparados 40 tiros, no que chamou "uma quantidade impressionante de disparos". "Eram criminosos, não manifestantes", disse ele a respeito dos homens armados. "Havia um pequeno grupo de pessoas com o objetivo de fazer com que a paz não prevalecesse."

Pelo menos três policiais se feriram na confusão com manifestantes: um foi atingido por um tijolo no rosto e os outros dois por gás de pimenta disparado pelos manifestantes, afirmou o chefe da polícia.

Um membro da imprensa local também foi roubado e agredido em um estacionamento perto da manifestação, na qual cinco pessoas foram presas, disse Belmar.

Além desses casos, mais cedo dois adolescentes foram atingidos por tiros perto de um altar erguido em uma calçada em homenagem a Brown ao lado do local onde ele foi baleado. Ainda de acordo com a polícia, os dois não sofreram ferimentos graves.

As manifestações relacionadas à morte de Brown começaram horas antes do incidente com uma passeata pacífica em Ferguson, nos subúrbios de St. Louis, após um minuto de silêncio em homenagem ao adolescente e prosseguiu com uma marcha sem incidentes pela avenida West Florissant, epicentro dos protestos que seguiram à morte do jovem. 

No final da marcha, liderada por seu pai Michael Brown Sr., os concentrados soltaram dois pombos. 

A morte do jovem em Ferguson desencadeou uma onda de protestos e uma investigação sobre os excessos da polícia, que em vários casos levaram à morte de jovens negros desarmados. Muitos dos presentes vestiam camisetas onde se podia ler "Escolha a mudança" ou cartazes que diziam "Chega de matar meninos negros".

Progresso lento. Um ano depois da morte de Brown, alguns líderes afirmam ter sido testemunhas de mudanças significativas na atitude dos americanos com relação aos temas raciais, mas lamentam ter visto poucas iniciativas dos legisladores para fazer reformas políticas.

Cornell William Brooks, presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), um dos grupos de direitos civis mais antigos do país, disse no domingo à emissora CBS que as mentalidades mudaram muito, mas que as reformas para obrigar a polícia a prestar contas e formar melhor os agentes avançavam em um ritmo "glacial".

O presidente Barack Obama, por sua vez, rebateu as críticas, segundo as quais teria feito muito pouco para superar os problemas raciais na condição de primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

"Só direi uma coisa: sinto a necessidade urgente de fazer o que for possível", disse, em entrevista à rádio pública NPR, que teve um trecho divulgado neste domingo. "Esses policiais assassinos têm que ir embora!" / REUTERS, EFE e AFP

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