Protestos em Hong Kong atingem impasse; negociações começam na sexta-feira

Os manifestantes pró-democracia de Hong Kong concordaram nesta terça-feira em iniciar conversas formais com o governo da cidade no final desta semana para abordar as preocupações que levaram dezenas de milhares às ruas.

DIANA CHAN E JOHN RUWITCH, REUTERS

07 de outubro de 2014 | 17h49

Lideradas por estudantes, as manifestações se acalmaram desde os embates com a polícia mais de uma semana atrás, e o número de pessoas presentes nos protestos caiu após os confrontos violentos no final de semana entre manifestantes e adversários pró-Pequim.

Nesta terça-feira, algumas centenas de manifestantes continuavam acampados nas ruas que conduzem à sede do governo e ao centro financeiro da cidade, ainda bloqueando o tráfego e causando o fechamento de algumas escolas.

Os manifestantes exigiram que o executivo-chefe de Hong Kong, Leung Chun-ying, renunciasse e que a China conceda ao povo de Hong Kong o direito de votar no líder de sua escolha nas eleições de 2017. Pequim quer selecionar os candidatos para o cargo, e Leung, indicado pela China, ignorou os clamores por sua demissão.

“Confirmamos que faremos a primeira rodada de reuniões na sexta-feira às 16h (horário local)”, disse Lau Kong-wah, subsecretário de assuntos constitucionais e continentais, após uma discussão com representantes dos estudantes nesta terça-feira.

As conversas terão como foco “a base para o desenvolvimento político e as implementações legais destas reformas políticas”, afirmou ele, referindo-se aos planos relativos à escolha do executivo-chefe, o líder de Hong Kong, em 2017.

O líder estudantil Lester Shum confirmou que os estudantes irão participar das negociações para transmitir sua mensagem ao alto escalão do governo, mas disse estar “revoltado e decepcionado” pela abrangência limitada esperada nas tratativas.

Os protestos irão continuar até que “medidas práticas tenham sido moldadas entre o governo e o povo”, afirmou ele. Quaisquer atos de violência ou tentativas de retirar os estudantes afetariam as conversas, acrescentou.

Nesta semana os manifestantes relaxaram os bloqueios em algumas ruas importantes do centro da cidade, que concentra bancos, shopping centers de luxo e a bolsa de valores.

PREJUÍZOS

Muitos comerciantes de Hong Kong já vinham passando apertos antes da onda mais recente de protestos, revelou uma pesquisa mensal do HSBC e da consultoria Markit Group nesta terça-feira. Os novos negócios diminuíram pelo quinto mês consecutivo em setembro, e as empresas reduziram seus quadros de pessoal pelo sexto mês seguido.

Representantes varejistas alertaram para a necessidade de uma solução rápida para que a ex-colônia britânica não sofra uma queda nas vendas em outubro, mês importante para o comércio de Hong Kong, pela primeira vez desde 2003. Uma associação informou que as vendas nas cadeias de lojas caíram entre 30 e 45 por cento entre 1o e 5 de outubro em certas regiões.

As manifestações provocaram uma queda de quase 50 bilhões de dólares no valor das ações na bolsa de Hong Kong, e o Banco Mundial declarou que os protestos estão prejudicando a economia local, embora o impacto na China seja limitado.

(Reportagem adicional de Farah Master, Clare Baldwin, Twinnie Siu, James Pomfret, Clare Jim, Joseph Campbell, Yimou Lee, Diana Chan, Kinling Lo e Venus Wu)

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