Protestos em massa marcam o Dia de Jerusalém

Milhares de pessoas participaram hoje de manifestações de solidariedade aos palestinos no Oriente Médio. Manifestantes pediram que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, seja julgado por crimes de guerra e que os Estados Unidos sejam punidos por seu apoio ao Estado judeu. O presidente iraniano, Mohammad Khatami, uniu-se a aproximadamente 10 mil pessoas que se concentraram na Praça Enqelab, de Teerã, para o protesto anual do Dia de Jerusalém. Cercado por um esquadrão de guarda-costas, Khatami participou de uma passeata até a vizinha Universidade de Teerã, onde acompanhou as orações de sexta-feira. Os manifestantes gritavam: "Sharon é um criminoso de guerra e tem de ser punido!"Protestos também foram realizados no Cairo, em Damasco e na cidade sulista libanesa de Nabatiyeh para marcar o Dia de Al-Quds - o nome árabe para Jerusalém, que significa "a sagrada". Promovido na última sexta-feira do mês sagrado do Ramadan, o dia de protesto foi criado pelo falecido líder iraniano aiatolá Ruhollah Khomeini, para celebrar Jerusalém como uma cidade islâmica. A mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém, é o terceiro local mais sagrado do Islã, depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita.Em Teerã, o ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani fez o sermão das orações de sexta-feira. Ele disse que o Ocidente permanece indiferente ao sofrimento dos palestinos em seu confronto com Israel "apesar das imagens mostrando a brutalidade israelense". A Liga Árabe emitiu um comunicado no Cairo para marcar o dia. "É hora de acabar com a dolorosa miséria que o povo palestino sofre há décadas", declarou. A liga, que reúne 21 Estados árabes e a Autoridade Palestina, afirmou que o mundo deveria forçar Israel a cumprir resoluções do Conselho de Segurança da ONU exigindo que o Estado judeu se retire da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, que foram capturadas na Guerra dos Seis Dias de 1967.NigériaMilhares de pessoas também tomaram as ruas da cidade nigeriana de Kano, para uma manifestação pacífica em comemoração ao Dia de Jerusalém. Centenas de policiais armados patrulharam as ruas em caminhões ou a pé para evitar que a violência tomasse conta do evento. O trânsito ficou congestionado e o comércio passou a maior parte do dia com as portas fechadas. Autoridades locais e religiosas pediram aos cristãos que permanecessem dentro de suas casas.A manifestação em Kano, a maior cidade do predominantemente muçulmano norte da Nigéria, foi maior do que nos anos anteriores. Os organizadores atribuíram este fato ao aumento das tensões entre israelenses e palestinos e aos conflitos entre muçulmanos e cristãos dentro da Nigéria.O evento, organizado por grupos islâmicos locais, ocorre menos de uma semana depois de choques religiosos terem deixado mais de 200 mortos e 8 mil desabrigados em Kaduna, ao sul de Kano. O conflito foi causado pela publicação de um artigo num jornal local segundo o qual o profeta Maomé escolheria uma esposa entre as concorrentes a Miss Mundo que se encontravam no país. A violência fez com que o concurso de beleza fosse transferido para Londres.

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