Protestos levam à renúncia de premiê búlgaro

O primeiro-ministro da Bulgária, Boiko Borisov, renunciou ontem depois de protestos violentos que tomaram as principais cidades do país em razão da política de austeridade e de uma elevação nos preços da energia.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h01

A queda do governo de Borisov é mais uma numa longa lista de vítimas da crise na Europa. Nos últimos quatro anos, pelo menos dez países já mudaram de governo por conta da crise, incluindo renúncias em países como Grécia, Islândia e Itália.

Borisov assumiu o poder em 2009, com a promessa de elevar o nível de renda do país mais pobre da UE. Diante da crise, o governo congelou salários, reduziu aposentadorias e elevou os impostos.

A gota d'água para a população foi a decisão do governo de elevar o preço da energia em 13%, o que tornou dramática a vida de milhares de famílias em pleno inverno europeu. Borisov tentou culpar a empresa checa CEZ pela alta, ameaçando com uma multa.

A população tomou as ruas da capital nos últimos 12 dias e transformou Sófia em um campo de batalha. Manifestantes desfilavam gritando "máfia" ao governo e exigindo a renúncia do primeiro-ministro.

"Eu não construo estradas para depois o sangue escorrer por elas", disse o primeiro-ministro, ex-guarda-costas do líder comunista Todor Zhivkov. "Não vou participar de um governo sob o qual a polícia massacra civis", disse.

A eleição, que estava marcada para ocorrer em julho, será antecipada. Num país onde milhares emigraram e o salário médio não chega a 550, o PIB está 2,5% abaixo dos níveis de 2008 e 12% da população está desempregada.

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