Protestos marcam Dia do Trabalho na Europa

Vários países da Europa enfrentam demonstrações de trabalhadores nesta terça-feira, elevando as pressões para que os governos desistam dos impopulares cortes orçamentários, enquanto a recessão toma conta da região.

CLARISSA MANGUEIRA, Agência Estado

01 Maio 2012 | 11h21

A celebração dos Dia do Trabalho está servindo como um grito de guerra contra a dieta severa de cortes de gastos e aumentos de impostos prescritos para os problemas da dívida soberana da região.

Multidões estão reunidas nas maiores cidades da Espanha usando o feriado desta terça-feira para marchar contra os pacotes de reformas do governo, que alguns temem que poderão gerar mais desemprego e aprofundar a recessão no país. Os manifestantes querem reverter os planos oficiais de cortes de gastos e reformas no mercado de trabalho, mas não há nenhum sinal claro de que as demonstrações conseguirão pressionar o governo, que tem maioria sólida no Parlamento, a mudar o seu caminho.

Em Madri, os manifestantes lotaram a Praça Cibeles, enquanto a polícia bloqueou o tráfego. Segurando cartazes com frases de "basta", ou "suficiente", e emblemáticas bandeiras vermelhas dos sindicatos mais importantes do país, os manifestantes se reuniram em torno do meio-dia, apesar de uma forte chuva semelhante a que frustrou protestos maiores no último fim de semana.

Em Barcelona, milhares de policiais antimotim estão de prontidão desde o último sábado com a finalidade de evitar protestos violentos, que coincidem com um encontro de banqueiros centrais da Europa na quinta-feira.

Recessão grega

Na Grécia, que enfrenta seu quinto ano de recessão, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Atenas hoje contra as medidas de austeridade, poucos dias antes das eleições nacionais que deverão se tornar um referendo sobre os cortes no país.

Os manifestantes, provenientes de grupos trabalhistas e organizações de esquerda, carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem denunciando os dois principais partidos políticos da Grécia, o socialista Pasok e o conservador Nova Democracia.

A polícia estima que cerca de 4 mil pessoas participaram da manifestação. Não houve relatos da violência que manchou protestos semelhantes no passado. Os serviços de transporte público em torno de Atenas foram interrompidos por uma paralisação parcial, enquanto uma greve dos trabalhadores marítimos restringiu os serviços das balsas para as ilhas do país.

Na França, onde os eleitores também irão às urnas no próximo domingo para um segundo turno das eleições presidenciais, vários comícios foram realizados nesta terça-feira.

Em Portugal, as duas principais confederações trabalhistas também estão realizando protestos hoje, e prometeram intensificar as manifestações desde que o governo anunciou medidas de austeridade para reduzir déficit orçamentário do país no ano passado. As informações são da Dow Jones.

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