Protestos marcam Dia do Trabalho no mundo

Manifestantes esquerdistas entraram em choque com a polícia hoje em Berlim e Sydney, enquanto centenas de milhares de trabalhadores desde a Rússia até Bangladesh promoveram passeatas para marcar o Dia do Trabalhador. Defendendo causas que iam da antiglobalização até os direitos dos prisioneiros, manifestantes saíram às ruas, cantaram e enfrentaram a polícia em muitas cidades da Ásia e Europa.Milhares de manifestantes anticapitalistas se concentraram na principal rua comercial de Londres e se confrontaram com uma organizada polícia de choque, alguns policiais de cavalo. Determinada a evitar o vandalismo da passeata do último Dia do Trabalho em Londres, a polícia ocupou o centro da cidade, encurralando os manifestantes no Oxford Circus. Pelo menos 31 pessoas foram detidas.Esquerdistas em Berlim jogaram pedras e garrafas contra policiais e criaram bloqueios incendiários nas ruas. A polícia usou canhão d´água para dispersar os manifestantes.A polícia de Berlim informou que entrou em choque com cerca de 6.000 ativistas esquerdistas durante a noite num parque do leste da cidade, alguns dos quais provocaram pequenos incêndios. Cerca de 500 manifestantes levantaram um bloqueio e queimaram latas de lixo, provocando horas de confronto com a polícia.Numa passeata do direitista Partido Nacional Democrático, 2.000 policiais cercaram uns 800 manifestantes - muitos com a marca registrada de cabeças raspadas e botas pesadas - a fim de evitar que eles entrassem em confronto com esquerdistas.Policiais e manifestantes promoveram violentos choques na Austrália, onde milhares de ativistas antiglobalização tentavam obrigar o fechamento de bolsas de valores e de grandes corporações. O trânsito ficou engarrafado em Sydney e em outras cidades.Dois policiais foram hospitalizados em Sydney e 28 outros ficaram feridos nos choques. A polícia em Brisbane prendeu cerca de 35 ativistas e várias pessoas ficaram feridas quando os manifestantes tentaram invadir a bolsa de valores.A polícia de Sydney deteve cerca de 30 manifestantes e abriu processo contra quatro. A polícia culpou elementos radicais pela violência, enquanto os manifestantes acusaram a polícia de brutalidade.Na França, onde o Primeiro de Maio é normalmente pacífico, milhares de trabalhadores e sindicalistas saíram às ruas para protestar contra recentes demissões em massa.Trabalhadores afetados por uma recente onda de restruturações em companhias como a gigante alimentícia Danone e o varejista britânico Marks & Spencer lideraram as passeatas.Em Moscou, onde as passeatas de Primeiro de Maio enchiam a Praça Vermelha na Era soviética, cerca de 28.000 trabalhadores participaram da manifestação de hoje. Mas centenas de milhares participaram de outras passeatas em diversas cidades russas.Muitos russos caminharam com souvenires soviéticos, como bandeiras vermelhas e retratos de Josef Stalin, para sublinhar suas denúncias de que a Rússia deteriorou desde que a União Soviética desapareceu em 1991.Em muitos países, o Dia do Trabalhador é mais um feriado do que uma ocasião para protesto. Os chineses tiraram uma semana de férias e foram encorajados a viajar - em parte como forma de estimular a economia.

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