REUTERS/Jorge Luis Plata
REUTERS/Jorge Luis Plata

Protestos marcam eleições no sul do México

Eleições de meio mandato não costumam atrair muitos eleitores, mas estas ganharam visibilidade maior porque um grupo de sindicatos de professores e ativistas ameaçou impedir a votação

O Estado de S.Paul

07 de junho de 2015 | 19h32

CIDADE DO MÉXICO - Manifestantes queimaram urnas em vários Estados no sul do México neste domingo, 7, numa tentativa de atrapalhar as eleições de meio mandato no país. Autoridades, no entanto, disseram que as eleições transcorriam normalmente, apesar de "incidentes isolados". Milhares de soldados e policiais foram enviados a localidades que registraram protestos violentos e boicotes nos últimos dias.

Nestas eleições, estão em jogo 500 assentos na Câmara dos Deputados, o governo de nove Estados, assim como assentos em Assembleias Legislativas e prefeituras de 17 municípios. A votação é considerada uma avaliação do governo presidente Enrique Peña Nieto, que está na metade de seu mandato de seis anos.

Eleições de meio mandato não costumam atrair muitos eleitores, mas estas ganharam visibilidade maior porque um grupo de sindicatos de professores e ativistas ameaçou impedir a votação. Eles atacaram escritórios de partidos políticos nos Estados de Chiapas e Guerrero e queimaram cédulas em Oaxaca antes da abertura dos locais de votação. As exigências dos professores incluem melhores salários e o retorno de 43 estudantes que desapareceram em setembro do ano passado. Segundo promotores de justiça, esses estudantes foram mortos e incinerados por traficantes de drogas.

Manifestantes queimaram pelo menos sete urnas e materiais de eleição em Tixtla, cidade do Estado de Guerrero onde fica o colégio dos estudantes desaparecidos. "Queremos que as crianças sejam encontradas primeiro, depois pode haver eleições", disse Martina de la Cruz, mãe de um dos alunos desaparecidos. Logo depois, houve confronto entre manifestantes e pessoas que queriam votar, com os dois grupos atirando pedras um contra o outro.

Urnas também foram destruídas nos Estados de Chiapas e Oaxaca. Na capital de Oaxaca, manifestantes usando máscaras esvaziaram um veículo que transportava cédulas, urnas e mesas e queimaram o material na praça central da cidade.

Pesquisas de opinião indicam que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) irá manter o controle da Câmara por uma pequena maioria, com a ajuda dos partidos aliados.

Em Nuevo León, Estado rico ao norte do país onde está a metrópole industrial de Monterrey, Jaime Rodriguez, conhecido como El Bronco, pode emergir como o primeiro candidato independente a conseguir o mandato de governador no México.

Na cidade do México, o Partido da Revolução Democrática (PRD) enfrenta o partido de esquerda Morena, fundado por Andrés Manuel López Obrador, ex-prefeito da capital mexicana e um concorrente forte nas duas últimas eleições presidenciais. Analistas dizem que um desempenho favorável do Morena pode acelerar a ascensão dos políticos de esquerda e talvez levar Obrador à disputa das eleições presidenciais pela terceira vez em 2018. / Dow Jones Newswires e Associated Press

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