Protestos marcam funeral de legislador anti-Síria

Libaneses entoavam gritos contra sírios durante cortejo nas ruas de Beirute

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

Dezenas de milhares de pessoas despediram-se nesta quinta-feira das vítimas da explosão de um carro-bomba que ontem matou o parlamentar anti-Síria Walid Eido e mais nove pessoas em Beirute enquanto o governo local busca apoio internacional para lidar com a situação. Acompanhando o lento cortejo fúnebre pelas ruas de Beirute, os participantes entoavam gritos contra o presidente sírio, Bashar Al Assad, e seu aliado Émile Lahoud, presidente do Líbano. "Oh, Beirute, queremos vingança contra Lahoud e Bashar", gritavam. Empresas, bancos e escolas de Beirute e em outras partes do Líbano fecharam as portas, respeitando o dia de luto nacional. Três ambulâncias levavam os caixões envoltos em bandeiras libanesas. Os participantes do cortejo portavam as bandeiras azuis e brancas do Tendência Futura, grupo político de Hariri, e chamavam Eido e seu filho, advogado, de "homens de justiça." "Estamos vivendo à sombra de crimes selvagens, mas não vamos mudar de rota", disse um participante do funeral, que se identificou apenas como Bassam. "Vamos manter o rumo até que a verdade apareça e a justiça siga seu curso". O ministro da Informação, Ghazi Aridi, disse que "os que mataram e os que estão pensando em matar (deveriam) perceber que esta política não vai levar a lugar nenhum." "Este crime é não só um grande desafio ao Líbano, mas também à comunidade internacional," acrescentou. Eido foi a sétima personalidade anti-Síria assassinada desde fevereiro de 2005, quando o ex-premiê Rafik Al Hariri foi morto na explosão de um caminhão-bomba. O legislador, considerado um muçulmano sunita, pertencia à bancada parlamentar de Saad Al Hariri, filho do ex-premiê assassinado, que controla o atual governo e liderou o cortejo. Aliados de Eido atribuíram a morte do ex-premiê ao governo sírio, numa suposta retaliação ao estabelecimento de um tribunal da ONU que vai julgar os suspeitos da morte de Hariri. A Síria não comentou o atentado de quarta-feira, ocorrido perto de um clube de praia em Beirute. A explosão matou também o filho mais velho do deputado, dois seguranças e seis transeuntes. O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, disse que o governo pediu que uma comissão da ONU que investiga a morte do ex-premiê libanês apure também o novo ataque, e que o caso de Eido seja incluído no novo tribunal internacional. Além disso, Siniora também pediu proteção da Liga Árabe ao Líbano. Tensão O Líbano já estava sob forte tensão antes do ataque. No último mês, cinco outras bombas, de menor potência, mataram duas pessoas em Beirute e arredores. No norte do país, o Exército enfrenta há três semanas militantes islâmicos dentro de um campo de refugiados palestinos, o que já provocou mais de 144 mortes, na pior onda de violência interna desde o fim da guerra civil (1975-1990). EUA, França, Grã-Bretanha, União Européia e ONU condenaram o atentado de quarta-feira. "Os que trabalham por um Líbano soberano e democrático sempre foram os que são alvejados," disse o presidente dos EUA, George W. Bush. "Os Estados Unidos vão continuar se erguendo pelo Líbano, por sua gente e por seu legítimo governo enquanto eles enfrentarem tais ataques".

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