Protestos marcam reunião de partido neonazista alemão

O Partido Nacional Democrata (NPD) alemão, formação de extrema direita que reúne neonazistas de todo o país, realizou neste sábado, dia 11, seu congresso federal em Berlim cercado por um forte esquema de segurança, em meio aos protestos nas ruas da cidade. Poucas horas antes do início da reunião neonazista, uma manifestação convocada pelos partidos com representação no Parlamento da cidade-estado de Berlim reunia centenas de pessoas - apesar da chuva -, que manifestavam seu repúdio à realização do congresso de NPD, autorizado na sexta-feira por decisão judicial. "Queremos deixar claro que a maior parte de nossa sociedade não quer neofascismo nem neonazistas, e muito menos em Berlim", disse o presidente do Parlamento berlinense e ex-prefeito-governador da cidade, o social-democrata Walter Momper. "Nossa Berlim não é marrom (em alusão à cor das camisas do partido nazista que Hitler liderou), mas aberto ao mundo, colorido e tolerante", disse Petra Pau, do Partido de Esquerda. Rejeição "Devemos rejeitar quem pretende trazer o ódio à nossa cidade", afirmou o líder parlamentar Peter Pfügler, em nome da União Democrata-Cristã (CDU). O presidente da Comunidade Judaica de Berlim, Gideon Joffe, manifestou sua satisfação e alegria pelo fato de "ver tantas pessoas reunidas, apesar do tempo ruim, para mostrar ao NPD o que acham deles". Pouco depois, cerca de 500 delegados e convidados do NPD se reuniram na Casa Fontane, o salão de atos públicos do distrito de Reinickendorf, escoltados por várias centenas de policiais, que os protegeram de outros 500 ativistas antifascistas que protestavam contra a reunião. "Queremos governar um dia este país", disse no início do congresso o presidente do NPD, Udo Voigt, que se apresentava como único candidato à reeleição na liderança do partido neonazista. Quanto à devolução de 870.000 euros que o Estado alemão reivindica do NPD pelo recebimento de donativos ilegais, Voigt disse que tentará evitar ter de hipotecar a sede central do partido, no bairro berlinense de Koepenick. Prisão Na entrada do local da reunião, um ativista do NPD foi detido e depois colocado em liberdade. Ele usava uma luva que produz graves ferimentos em quem é atingido com essa arma, que foi confiscada. O Tribunal Superior Administrativo de Berlim-Brandeburgo decidiu na sexta-feira autorizar a realização do congresso e o uso da sala pública, ao considerar que o NPD, como partido legal, não pode ser discriminado e tem direito de ser tratado como os outros. Apesar de tudo, o ministro do Interior de Berlim, Erhard Koerting, se mostrou partidário de abrir um novo procedimento para ilegalizar o NPD e, se for necessário para que o trâmite tenha êxito judicial, retirar todos os agentes policiais infiltrados em suas fileiras. Enquanto isso, o Escritório Federal de Investigação Criminal (BKA) registrou um preocupante aumento de 20% no número de crimes atribuídos à extrema direita durante os nove primeiros meses de 2006, em comparação ao mesmo período do ano passado. O jornal "Tagesspiegel am Sonntag" informará amanhã que o BKA registrou na Alemanha, até 30 de setembro, 9.013 crimes cometidos por radicais de direita e neonazistas, assim como 522 atos violentos, nos quais 375 pessoas ficaram feridas, geralmente devido a agressões físicas diretas.

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