Protestos matam pelo menos 13 no Quênia

Pelo menos 13 pessoas morreram nasexta-feira no Quênia durante confrontos étnicos emanifestações contra o presidente Mwai Kibaki. O pior incidente aconteceu na favela de Kibera, em Nairóbi,um reduto da oposição onde pelo menos sete pessoas foram mortase dezenas ficaram feridas por disparos de armas automáticas dapolícia. A entidade Médicos Sem-Fronteira qualificou a situaçãocomo "massacre". A polícia também fez disparos e usou gás lacrimogêneo nacidade portuária de Mombaça, onde uma pessoa foi morta depoisdas preces islâmicas de sexta-feira, e em Narok, no sul. Este foi o mais violento dos três dias de protestosconvocados pela oposição para esta semana para protestar contraa reeleição de Kibaki, em 27 de dezembro, marcada por suspeitasde fraude. Desde o início da crise, cerca de 650 pessoas foram mortas,sendo pelo menos 21 nas manifestações desta semana. A oposição e grupos de direitos humanos acusam a polícia deusar força excessiva contra manifestantes desarmados. Asautoridades dizem que só atiram em desordeiros e saqueadores. Jornalistas da Reuters contaram sete mortos depois doincidente em Kibera, inclusive um homem que teve a parte detrás da cabeça arrancada e uma menina de 15 anos, chamadaRosina Otieno. "Se eles podem matar uma menininha, que matemtodo mundo", disse a tia dela, Martha Mtishi, à Reuters. Pelo menos 11 feridos foram hospitalizados. "Precisamos demais médicos, porque não podemos lidar com uma emergência destamagnitude", disse o administrador hospitalar Joe Momanyi. Em frente ao hospital, uma multidão chamava os policiais de"homicidas e assassinos". Um repórter da Reuters viu a polícia atirando contramanifestantes em Kibera. Um homem com boné vermelho de beisebole camiseta preta caiu no chão, com sangue jorrando do joelho. Os manifestantes montaram uma barricada incendiária nafavela, e meninos escondidos nos barracos e atirando pedras comestilingues brincavam de gato-e-rato com os policiais. "Eles estavam tentando arrancar as linhas ferroviárias. Apolícia veio contê-los e começou a atirar. (Os meninos)começaram a gritar e correr", disse James Muga, um desempregadode 45 anos, enquanto ainda eram ouvidos disparos de armasautomáticas. No sudoeste do Quênia, autoridades disseram que cincopessoas foram mortas a flechadas e golpes de facão nasexta-feira em confrontos entre membros da tribo kikuyu, deKibaki, e oposicionistas da etnia maasai, na cidade de Narok,portão de acesso ao parque de safáris Maasai Mara. Os maasai e os kikuyu lutam na área desde quinta-feira.Lojas e casas foram queimadas, e pelo menos 23 pessoas ficaramferidas, segundo a polícia. Um repórter da Reuters disse quetropas de choque foram enviadas para desmontar as barricadaserguidas pelos maasai. A oposição disse que a polícia matou a tiros doismanifestantes em Mombaça, leste. As autoridades confirmaramapenas uma morte. Em Kibera, Ian van Engelge, da entidade Médicos SemFronteiras, disse que a violência na sexta-feira "realmenteexplodiu". "Jovens de 13 anos morreram, meninas, rapazes, éinacreditável, é como um massacre." O líder oposicionista Raila Odinga visitou o hospitalMasaba e disse a jornalistas: "Vocês viram o que eu vi, umacoisa chocante. Este governo está determinado a acabar com quemse opuser àquilo que fizeram." (Reportagem adicional Bryson Hull, Nick Tattersall, BosireNyairo, Joseph Sudah, George Obulutsa)

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