Protestos mostram revolta árabe contra invasão do Iraque

A revolta contra a invasão liderada pelos EUA ao Iraque foi manifestada nesta sexta-feira em protestos pelo Oriente Médio após as tradicionais orações islâmicas da sexta-feira, com multidões provocando a polícia, que disparou tiros de advertência para o ar no Irã e lançou bombas de gás lacrimogêneo na Jordânia.Irã - Milhares de iranianos tomaram as ruas de Teerã denunciando o que chamaram de "barbarismo de Bush". As forças de segurança dispersaram os manifestantes, que atacaram com pedras a Embaixada da Grã-Bretanha no Irã e pediram a expulsão do embaixador britânico. Eles também queimaram retratos do presidente americano, George W. Bush, e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Os EUA não têm relações diplomáticas com o Irã desde 1979, quando militantes invadiram sua embaixada e tomaram reféns. Na manifestação, os iranianos também atacaram Saddam Hussein, a quem descreveram como um "proscrito aos olhos da nação iraniana" por conduzir entre 1980 e 1988 uma guerra contra a república islâmica.Jordânia - Os jordanianos manifestaram em todo o país sua oposição à guerra após as orações. Durante os protestos, interpretados por vários analistas como um desafio aberto ao rei Abdallah II, os manifestantes carregaram retratos de Osama bin Laden, de Saddam Hussein e do líder sírio, Bashar Assad. A maioria das marchas transcorreu pacificamente, mas na cidade de Maan ocorreram choques entre os manifestantes e a polícia, e, no centro histórico de Amã, as forças de segurança lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto.Territórios Palestinos - Mais de 30 mil palestinos manifestaram sua solidariedade ao Iraque na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde incidentes de violência deixaram um morto. Carregando bandeiras iraquianas, os manifestantes denunciaram os EUA, a Grã-Bretanha e Israel.Egito - Dezenas de milhares de egípcios concentraram-se diante da mesquita de Al-Azhar, após as orações, para protestar contra a guerra. A polícia acompanhou de perto os protestos, mas não tentou dispersá-los.Ásia - Pelo menos 100 mil pessoas manifestaram-se contra a guerra em toda a Ásia, principalmente nos países islâmicos, inflamados pelos sermões anti-EUA durante as orações. Em Daca, capital de Bangladesh, os protestos reuniram 50 mil pessoas. Nas Filipinas, 20 mil pessoas saíram às ruas de Manila. Na Caxemira indiana, de maioria islâmica, a polícia lançou bombas de gás contra os manifestantes que gritaram slogans anti-EUA e queimaram bandeiras americanas e fotos de Bush. No Sri Lanka, a polícia usou jatos d?água para dispersar os protestos na capital, Colombo. A China, oposta à guerra, mas temerosa de uma manifestação em larga escala, autorizou ontem um grupo de 150 estrangeiros a protestar no centro de Pequim. Na Coréia do Sul, a polícia entrou em choque com manifestantes diante da Assembléia Nacional, quando os deputados votavam pela segunda vez uma lei autorizando o envio de 700 militares não-combatentes ao Golfo.EUA - A polícia de Washington prendeu 13 pacifistas que, para protestar contra a guerra, haviam bloqueado o trânsito a poucas quadras da Casa Branca, deitando na rua. Para retirar os manifestantes, a polícia teve de cortar as correntes que os uniam, enquanto outro grupo de pacifistas manifestava-se usando roupas de circo.Itália - Pelo menos dez automóveis de uma distribuidora Ford nas imediações de Roma foram incendiados em protesto contra a guerra no Iraque. O ataque foi cometido de madrugada e a polícia encontrou uma faixa com a frase "sabotagem à guerra imperialista". Veja o especial :

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