Protestos na capital do Sudão; grupos humanitários lançam aviso

Centenas de pessoas protestaram em Cartum na sexta-feira depois de pregadores terem condenado o mandado de prisão emitido pela Corte Criminal Internacional contra o presidente do Sudão, acusado de crimes de guerra em Darfur. Foi o terceiro dia de manifestações de protesto depois de a corte, em Haia, ter anunciado o indiciamento do presidente Omar Hassan al Bashir por sete acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo assassinato, estupro e tortura. Até 2.000 pessoas se reuniram diante da representação da Comissão Européia em Cartum, e centenas de outras foram vistas reunindo-se diante de mesquitas em outras partes da cidade. Multidões gritavam "abaixo, abaixo os EUA" e "abaixo, abaixo a CCI" na saída das mesquitas, após as orações da sexta-feira. Havia segurança reforçada nas ruas, mas os protestos pareceram ser bem menores do que as manifestações de massa em apoio a Bashir ocorridas em Cartum na quinta-feira. Pregadores em várias mesquitas da cidade fizeram sermões convocando os muçulmanos em todo o país a condenar a decisão da CCI. O Sudão se nega a tratar com a corte e esta semana expulsou do norte do país 13 agências humanitárias respeitadas, incluindo a Oxfam e a Save the Children (Salve as Crianças), acusando-as de transmitir provas à corte. As agências negam ter tido qualquer contato com a corte. As entidades humanitárias da ONU disseram que as expulsões colocam em risco a vida e saúde de milhões de pessoas. Autoridades da ONU sugerem que elas podem infringir as leis internacionais. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Bashir que reconsidere a expulsão das agências, dizendo que organizações não governamentais (ONGs) ajudam 4,7 milhões de pessoas no maior país da África. "Privar um grupo enorme de civis dos meios de sobrevivência é um ato deplorável. A assistência humanitária não tem relação alguma com os procedimentos da CCI", disse o porta-voz de direitos humanos das Nações Unidas, Rupert Colville. FALTA COMIDA, ÁGUA E ASSISTÊNCIA MÉDICA Das 76 ONGs em Darfur com as quais as Nações Unidas trabalham, as 13 que foram expulsas respondem por metade da assistência distribuída na região, diz Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Sua saída deixará 1,1 milhão de pessoas sem alimentos, 1,5 milhão sem assistência médica e mais de 1 milhão sem água potável, disse ela em briefing. "Será dificílimo para as organizações humanitárias restantes e o governo do Sudão preencherem essa lacuna", disse ela. Especialistas internacionais dizem que o conflito em Darfur já matou 200 mil pessoas e deslocou 2,5 milhões. Funcionários de agências humanitárias dizem que alguns funcionários de agências expulsas foram revistados e molestados por agentes de segurança sudaneses desde que retornaram a suas sedes em Cartum na quinta-feira.

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