Protestos na Costa do Marfim chegam ao seu quarto dia

Protestos violentos nas ruas do sudeste da Costa do Marfim atingiram seu quarto dia nesta quinta-feira. Os manifestantes que apóiam o presidente Laurent Gbagbo se opuseram ao seu pedido para que voltassem à suas casas e exigiram que as Nações Unidas punissem os responsáveis pelo tiroteio envolvendo os soldados da ONU. As tropas de paz usaram granadas de gás para manterem as milhares de pessoas fora do quartel-general da ONU em Abidjan, a maior cidade do país. "Nós iremos continuar com os protestos pois o comunicado da ONU não foi satisfatório. Pierre Schori (comandante da missão da ONU na Costa do Marfim) matou vários marfinenses, mas ele não sofreu nenhum castigo", disse Eugene Djue, um dos organizadores do grupo Jovens Patriotas.A agitação começou na segunda-feira passada, após a ONU apoiar um grupo de mediadores que recomendava que o atual parlamento não deveria continuar exercendo poder. O parlamento da Costa do marfim, que em sua maioria apóia o atual presidente, é visto como a última coluna de apoio do poder de Gbagbo e a decisão da ONU atingiu diretamente jovens ativistas pró-governo. A França disse que está despachando mais um grupo de policiais militares para a Costa do Marfim, para ajudar nas manifestações. Em torno de 2.000 insurgentes se reuniram fora do quartel general da ONU e em suas unidades militares nas cidades de Daloa e San Pedro, informou o observador militar da ONU, capitão Gilles Combarieu. As forças de segurança do governo "ainda não fizeram nada para acabar com os protestos. A situação é igual à de ontem, tirando o comunicado do presidente", disse Combarieu. "Isso não é mais um protesto pacífico, isso é terrorismo", completou. O grupo internacional Human Right Watch pediu para a ONU aumentar o número de tropas da paz e punir aqueles que estão causando essa violência.Na quarta-feira passada, tropas de Bangladesh entraram em conflito com insurgentes que tentaram invadir seus complexos militares, na cidade Guiglo, e acabaram matando quatro marfinenses. Logo após a ONU retirou todo o seu contingente da cidade, algo em torno de 200 a 300 pessoas. Gbagbo cancelou as próximas eleições de outubro, culpando os rebeldes. Depois deste ato a ONU e a União Africana adicionaram um ano à mais para o governo de Gbagbo, ignorando as objeções de rebeldes e opositores. Os combatentes escolheram um novo primeiro-ministro, Charles Konan Banny, para guiar o país para as eleições, que ocorrerão dentro de um ano. Ele nomeou 32 novos membros para o governo, composta por rebeldes, partidos da oposição e ministros do partido governista.Na terça-feira passada, a Frente Popular Marfinense, partido de Gbagbo, disse que parará com o processo de paz e não irá mais colaborar com a política de Banny. E ainda exigiu que as tropas da ONU se retirassem.

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