REUTERS/Cathal McNaughton
REUTERS/Cathal McNaughton

Protestos na Índia após condenação de guru deixam ao menos 28 mortos

Gurmeet Ram Rahim Singh, líder da Dera Sacha Sauda, foi declarado culpado por um crime de estupro nesta sexta-feira por tribunal de Panchkula, no norte do país; ao menos 250 pessoas ficaram feridas e 1.000 manifestantes foram detidos

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 10h32
Atualizado 25 Agosto 2017 | 17h37

NOVA DÉLHI - Pelo menos 28 pessoas morreram e 250 ficaram feridas no norte da Índia durante violentos protestos nesta sexta-feira, 25, depois de um tribunal declarar o controverso guru Gurmeet Ram Rahim Singh culpado por um crime de estupro, informaram fontes da polícia. A sentença para o caso, no entanto, só será conhecida na segunda-feira, segundo a imprensa indiana.

A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões d'água para tentar conter a multidão, que vandalizava pontos de ônibus e veículos do governo em Panchkula. Segundo testemunhas, alguns agentes dispararam tiros de aviso para o ar. "A situação está tensa", disse o ministro de Interior da Índia, Rajiv Mehrishi.

De acordo com B.S. Sandhu, funcionário sênior da polícia de Haryana, ao menos 1.000 manifestantes foram detidos sob acusação de incendiar e destruir propriedades públicas. Estimativas preliminares apontam que até 100 mil pessoas teriam saído às ruas de Panchkula para protestar contra a condenação.

O guru percorreu nesta sexta-feira, sob um forte esquema de segurança, os 250 quilômetros que separam Sirsa, onde fica o quartel-general da sua organização espiritual, até Panchkula, localidade satélite de Chandigarh, capital compartilhada dos Estados de Punjab e Haryana.

Na noite de quinta foi decretado toque de recolher em Sirsa, enquanto a Polícia mobilizou 50 mil agentes tanto nessa cidade como em Panchkula, para onde se deslocaram por estrada dezenas de milhares de seguidores do guru, depois que o governo local cancelou vários comboios para evitar mais aglomerações.

Acusação

O caso contra Singh remonta a 2002, quando uma das suas supostas seguidoras enviou uma carta anônima ao então primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, acusando o guru de ter estuprado tanto ela como outras de suas devotas.

O Birô Central de Investigações da Índia apresentou então uma denúncia contra o guru, mas o julgamento só começou em 2008, depois que duas seguidoras de Singh aceitaram testemunhar contra ele.

Em um país onde os gurus são contados às centenas e gozam de grande popularidade, influência política e em algumas ocasiões muito dinheiro, Singh é o último líder espiritual a enfrentar a lei. E não é a primeira vez. Antes, também foi acusado de estupro, assassinato ou de ter castrado 400 homens sob a promessa de "chegarem a Deus".

À frente da organização espiritual Dera Sacha Sauda (DSS, que signigica Lugar da Verdade Real em hindi) o guru afirma contar com 50 milhões de seguidores na Índia, reunindo-os em quase 50 ashrams ou templos em todo o país.

Segundo sua biografia, Singh "desceu do céu" em 1967 em um povoado do Estado do Rajastão e ainda menino entrou em contato com a DSS através do seu pai, até que aos 23 anos foi nomeado líder da organização espiritual.

O multifacetado guru é além disso roqueiro que, em 2014, vendeu três milhões de cópias em três dias do seu disco "Highway Love Charger", e ator protagonista de um filme psicodélico inspirado na sua vida, que encheu as salas de cinema indianas há dois anos. / REUTERS, AFP e EFE

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