Protestos na Líbia já deixaram 84 mortos, diz ONG

Serviços de internet e de energia elétrica foram cortados no país

BBC Brasil, BBC

19 de fevereiro de 2011 | 07h03

O número de pessoas mortas em três dias de protestos contra o governo da Líbia já chegou a 84, segundo a organização internacional Human Rights Watch, com sede em Nova York.

O principal foco das manifestações contra o líder líbio, Muammar Khadafi, foi a segunda maior cidade do país, Benghazi, onde 35 mortes foram registradas em apenas um hospital.

 

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A mídia estatal advertiu sobre retaliações contra os críticos de Khadafi, que está no poder desde 1969.

Serviços de internet e energia elétrica foram cortados em algumas áreas do país após o início dos protestos. O principal provedor de internet cortou o acesso à rede, de acordo com o jornal Guardian. A rede de TV Al-Jazira também informa que a rede de telefonia celular também não está funcionando por imposição do governo líbio.

As forças de segurança líbias abriram fogo contra manifestantes em Benghazi na sexta-feira quando eles se aproximaram de um local usado pelo coronel Khadafi quando visitava a cidade, localizada a cerca de mil quilômetros da capital, Trípoli.

Segundo relatos de órgãos de mídia e a contabilização da Human Rights Watch (HRW), o hospital Al-Jala, na cidade, recebeu os corpos de 35 pessoas mortas pela repressão aos protestos.

Corpos ensaguentados

Em um comunicado publicado na internet, a HRW afirmou que houve protestos também em pelo menos outras quatro cidades no leste do país na sexta-feira - Al-Bayda, Ajdabiya, Zawiya e Darnah - mesmo após a morte de alguns manifestantes em protestos nos dias anteriores.

Imagens gravadas em Al-Bayda mostravam corpos ensaguentados em um necrotério e manifestantes ateando fogo a um prédio do governo local e demolindo uma escultura do "livro verde", que representa a ideologia de Khadafi.

Em Darnah, ao leste de Al-Bayda, delegacias de polícia teriam sido desocupadas após os protestos. Um jornal de propriedade de um dos filhos de Khadafi afirmou que manifestantes lincharam dois policiais na cidade.

Um manifestante disse à BBC que soldados estavam mudando de lado em algumas áreas e passaram a apoiar os protestos.

"Os soldados dizem que somos cidadãos deste país e que não podem combater seus cidadãos", disse. "Respeitamos nosso povo, não precisamos lutar contra eles", afirmou,

Não foram registrados até agora grandes protestos contra o governo na capital do país, Trípoli, onde manifestantes pró-Khadafi vêm realizando atos em apoio ao líder.

Mudanças no governo

Em meio à repressão aos protestos, o jornal semi-independente Quryna relatou que o governo faria mudanças em muitos cargos do executivo e descentralizaria e restruturaria o governo.

Não havia uma menção aos protestos como catalisadores das mudanças.

O jornal pró-governo Al-Zahf Al-Akhdar havia advertido antes que que as autoridades responderiam "violentamente e contundentemente" aos protestos.

"O poder do povo, a Jamahiryia (termo em árabe para designar o sistema de governo adotado pela Líbia, chamado 'Estado das Massas'), a revolução e o coronel Khadafi são linhas vermelhas, e aqueles que as tentarem cruzar ou chegar próximos dessas linhas são suicidas brincando com fogo", afirmou o jornal.

As manifestações líbias são parte da onda de levantes pró-democracia no mundo árabe e muçulmano, que já derrubou governantes na Tunísia e no Egito e se espalhou por países como Bahrein, Argélia, Iêmen e Irã.

Mas analistas dizem que a situação no país é diferente da situação no Egito ou na Tunísia, porque Khadafi teria as grandes receitas com petróleo para conter os problemas sociais e tem uma alta popularidade em todo o país, apesar de ser menos popular na região de Cyrenaica, onde está Benghazi.

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