Protestos na Tailândia deixam 15 mortos e perto de 680 feridos

Protestos na Tailândia deixam 15 mortos e perto de 680 feridos

Conflitos ocorreram na capital, Bangcoc, sendo o pior episódio de violência política no país em quase 20 anos

Agência Estado,

10 de abril de 2010 | 17h14

Uma cena de guerra deixou pelo menos 15 pessoas mortas e cerca de 680 feridas em Bangcoc, capital da Tailândia, quando soldados e policiais tailandeses enfrentaram manifestantes contrários ao governo nas ruas. Entre os mortos estão soldados, civis e um cinegrafista japonês da Thomson Reuters. Este foi o pior episódio de violência política no país em quase 20 anos.

 

O exército chegou ao local para dispersar os manifestantes, vestidos de camisas vermelhas, de suas bases em Bangcoc ao entardecer, pelo horário local, mas segundo um fotógrafo da Associated Press, ao contrário, uma batalha se instalou. Segundo o fotógrafo, pôde-se ouvir o som de armas e explosões, a maior parte de coquetéis Molotov. Após duas horas de intensas batalhas, os soldados recuaram e pediram aos manifestantes que fizessem o mesmo.

 

Pouco antes da meia-noite (horário local) deste sábado, 10, o primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, usou uma cadeia nacional de televisão para prestar suas condolências as famílias das vítimas e indicou que não iria se curvar às exigências dos manifestantes para dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.

 

"O governo e eu ainda somos responsáveis pela tarefa de aliviar a situação e tentar trazer a paz e a ordem ao país", disse Abhisit, prometendo uma investigação transparente sobre a violência.

 

Contudo, nas primeiras horas deste domingo, 11, em Bangcoc, os manifestantes "camisas vermelhas" fizeram um apelo ao rei para que intervenha após os sangrentos confrontos na capital, como uma "forma de evitar mais mortes".

 

"Alguém informou ao rei que suas crianças foram assassinadas no meio da estrada sem justiça?", questionou o líder dos "camisas vermelhas" Jatuporn Prompan aos manifestantes. "Existe alguém próximo a ele que possa contar sobre os tiros?"

 

Embora não tenha nenhum papel político oficial, o rei da Tailândia Bhumibol Adulyadej é visto como uma figura unificadora e durante um levante em 1992 ele criticou severamente os militares e líderes dos protestos, efetivamente trazendo um fim à violência. O monarca mais antigo no poder no mundo, é reverenciado como um semideus por muitos tailandeses. Doente, ele está hospitalizado desde setembro.

 

Também na madrugada deste domingo, um porta-voz do exército disse que os manifestantes contrários ao governo mantinham cinco soldados como reféns em Bangcoc.

 

De acordo com o diretor do Hospital Geral BMA, Pichaya Nakwatchara, quatro manifestantes e o jornalista japonês foram aparentemente mortos por objetos duros atirados ou por tiros. Os manifestantes levaram o corpo de um homem que disseram estar morto para seu acampamento.

 

O confronto segue-se a um primeiro uso da força, com jatos de água, desde que autoridades tailandesas declararam estado de emergência, na quarta-feira. Os manifestantes querem forçar o governo a dissolver o Parlamento e convocar eleições. Muitos dos manifestantes são partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em um golpe militar há quatro anos. Eles pretendem manter o protesto até o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva dissolver o Legislativo. Abhisit era contrário ao governo de Thaksin e foi eleito em uma votação do Parlamento, em 2008. O atual líder se recusa a antecipar as eleições gerais, mas pode fazer isso no fim do ano. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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